Passageiros já trocam leito por avião
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 1998
Carmem Murara 
Desde que as companhias aéreas se propuseram a derrubar os preços das passagens e reservar assentos nas aeronaves para tarifas econômicas, as empresas de transporte de ônibus sentem uma migração lenta de sua fiel clientela. Trocar o ônibus-leito pelo avião passou a ser rotina para um grupo de brasileiros, que até então não havia experimentado o gosto de voar. A tarifa aérea mais barata na rota Curitiba-São Paulo está apenas R$ 18 mais cara em relação a uma passagem de ônibus-leito.
A diferença nos preços se acentua se o passageiro encarar as seis horas de viagem entre Curitiba e São Paulo num ônibus convencional, cuja passagem custa R$ 18,84 ou R$ 24 no caso do modelo executivo, opção ofertada pela empresa Itapemirim. Hoje, a tarifa de avião mais barata encontrada pela Folha foi da companhia Vasp com R$ 59 e o vôo dura 50 minutos, ou seja, 5h10 a menos do que no ônibus. A Varig e a Rio Sul, que também operaram esta rota, têm preços que chegam a R$ 62.
A Rio Sul possuiu ainda a vantagem de os aviões aterrissarem no aeroporto de Gongonhas. Como o terminal aéreo é mais central do que o de Guarulhos, os passageiros não gastam muito com o transporte. Outro custo que precisa ser incluído é a taxa de embarque, no valor de R$ 9,15.
Mas as tarifas reduzidas não significam que as pessoas vão encontrar com facilidade as ofertas, alertam as companhias aéreas. Para garantir assento pagando a menor taxa é necessário fazer a reserva com pelo menos 20 dias de antecedência, na Rio Sul, e de até quatro meses na Varig, caso o período seja de alta temporada de viagens. Se o usuário souber com antecedência que vai viajar, com certeza ele encontrará lugar, afirma o supervisor de vendas da Varig em Curitiba, Jonas de Andrade Maciel.
As companhias têm aplicado descontos que variam de 10% a 60% do preço-base. Os descontos atraíram os passageiros, que lotaram os aviões. Estimamos que o nosso número de passageiros tenha aumentado 60% desde março, afirma o gerente comercial da Vasp em Curitiba, Cláudio Isolani. Ele assegura que o faturamento e lucro das companhias não aumentaram na mesma proporção, mesmo assim valeu a pena ter adotado a política de gerenciamento de assentos. Já a Varig afirma ter tido um aumento de 15% na lotação dos vôos.


