BRASÍLIA - Os passageiros de ônibus interestaduais e internacionais vão pagar pedágio nas estradas. O preço será menor que o cobrado do motorista de carro particular e vai ser pago no ato de compra da passagem. A medida retira esse ônus das companhias de ônibus. A decisão, que ainda depende de normatização, foi instituída por meio de uma portaria publicada ontem no Diário Oficial da União, assinada pelo ministro dos Transportes, Alcides Saldanha.
A portaria se justifica ao afirmar que o preço do atual bilhete de passagem considera os componentes do custo de uma planilha técnica, em cujos itens não está incluída a tarifa do pedágio. Além disso, ela lembra que as empresas estão sujeitas a esse pagamento. A cobrança é definida como ‘‘reembolso de despesas’’ às empresas de ônibus.
Com essa portaria, portanto, o ministério atendeu a uma reivindicação das empresas de ônibus que sempre reclamaram da cobrança de pedágio. ‘‘Uma grande empresa paga em média R$ 15 mil por dia em pedágio em todo País, o que significa R$ 450 mil por mês’’, lembra Cláudio Ivanof Lucarevschi, secretário de Transportes Terrestres, do Ministério dos Transportes.
As empresas chegaram a reivindicar o não pagamento do pedágio, mas as concessionárias das estradas privatizadas negaram. Elas argumentaram que não poderiam abrir mão dessa receita. Existem quatro rodovias federais onde se cobra pedágio. São a Rodovia Presidente Dutra, a Rio/Teresópolis, a Rio/Juiz de Fora e a Ponte Rio-Niterói.
O passageiro que fizer a linha Rio-São Paulo irá pagar R$ 0,67 por passagem se viajar em um ônibus com dois eixos. No caso de ônibus de três eixos, mais confortáveis, o pedágio será de R$ 1,00 por passagem. Para os ônibus executivos, que têm menos passageiros, os pedágios serão R$ 0,76 para ônibus de dois eixos e R$ 1,14 para ônibus com três eixos. Um carro particular paga R$ 2,86 em cada uma das quatro praças de pedágio que ligam as duas capitais.
Para não caracterizar esse ‘‘reembolso’’ como aumento de tarifas, o Ministério dos Transportes e da Fazenda concordaram que esse pagamento será feito como uma taxa, como é a taxa de embarque e o seguro facultativo. ‘‘Será um valor adicional, a ser pago em uma tarjeta separada quando da compra da passagem’’, explica Ivanof. ‘‘Não queríamos aumentar as tarifas.’’

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