Páscoa é bom momento para educar financeiramente os filhos
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quinta-feira, 01 de abril de 2010
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Todo dia é oportuno para ensinar os filhos a lidar com as finanças pessoais. Mas, para a psicanalista Márcia Tolotti, as datas comemorativas - quando o apelo ao consumo aumenta - são oportunidades para um ensino intenso, importante para mostrar às crianças que comprar ou não é uma questão de escolha. Só que para passar aos descendentes noções de educação financeira, os pais devem ser, antes de tudo, o exemplo.
Autora do livro ''As Armadilhas do Consumo'', Márcia coordena programas de educação financeira também em escolas e defende que a educação financeira tem que mostrar sempre os limites. ''Não dá para escapar da Páscoa. Somos bombardeados de várias partes. Pode dar um ovo sim. Mas o importante é aproveitar o momento para conversar e mostrar para o filho o significado daquela data, independentemente da religião'', explica. Esse cuidado vale para os filhos de todas as idades, mesmo antes de eles terem noções de dinheiro é possível passar valores do simbolismo da comemoração e fugir do caráter impositivo do consumo. ''A necessidade das pessoas é muito pequena. Mas a vontade é, muitas vezes, sem controle''.
''Os pais podem trabalhar com o filho assim: 'olha, eu poderia lhe dar mais, mas você ganhará só um ovo porque será o suficiente para lhe satisfazer. Vamos pegar o resto do dinheiro que eu gastaria em chocolate e colocar na poupança?'', orienta. Assim, o responsável mostra para a criança que ainda a está presenteando, no entanto, de uma forma mais saudável.
Ela afirma que cabe aos pais a decisão de expor ou não os filhos às propagandas. ''Pode ser positivo tentar evitar esse apelo, mas a criança não ficará totalmente livre. É possível controlar o que acontece dentro de casa, mas o mundo da criança é muito maior. Na escola os amigos comentam e eles vão comparar o que cada um ganhou no dia seguinte. É natural que ela tenha essa influência, então é importante trabalhar paralelamente a isso. Mas os pais só vão conseguir passar esses conceitos se realmente acreditarem neles''.
Uma armadilha da família moderna é tentar compensar a falta de tempo e atenção com os filhos por meio de presentes. Além de influenciar no comportamento deles, que podem ficar ''sem limites'', muitas vezes essa prática leva os pais a exagerar nas compras e entrar na prestação para garantir uma grande cesta de ovos de chocolate. Algumas lojas chegam a ofertar parcelamentos de até 15 meses, ou seja, três meses após a Páscoa de 2011, os bombons deste ano ainda serão cobrados. E é tradição: nos meses seguintes às datas comemorativas, o índice de inadimplência aumenta em todo o país.
''As pessoas não pensam na dívida em si. Elas se concentram na ideia de 'meu filho merece'. Ainda que ela não precise entrar em prestação, sempre é bom se questionar: 'precisa mesmo tudo isso?'. Aproveite a oportunidade e se eduque também'', aconselha a psicanalista.
Márcia participa nos próximos dias 14 e 15 da Expo Money em Curitiba onde fará uma palestra sobre a relação entre os investimentos e as emoções.


