Páscoa deve ter menos ovos e mais bombons neste ano
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Com o bolso mais apertado na Páscoa deste ano, o consumidor vai priorizar preços e promoções em detrimento de marcas e deve migrar os presentes dos ovos de chocolate para bombons e barras. Essa é a análise feita a partir de pesquisa de intenção de consumo do Boa Vista SCPC, que identificou um aumento no volume de pessoas que pretendem gastar menos para a festividade deste ano: se, no ano passado, 68% diziam querer gastar menos em relação a 2014, o percentual aumentou para 79% dos entrevistados neste ano.
Os dados da pesquisa foram obtidos entre os dias 2 e 23 de fevereiro deste ano, com 504 pessoas. O grau de confiança é de 95% e a margem de erro é de 4% para mais ou para menos.
Segundo a pesquisa, o valor médio que o consumidor pretende gastar este ano com a Páscoa é até R$ 82, contra R$ 95 no ano passado. "É uma redução significativa, se considerarmos uma inflação que passa dos 10%", afirma o economista da Boa Vista SCPC Flávio Calife.
Outro ponto que mostra a mudança de hábito do consumidor é o fato de 55% focarem as compras em outros tipos de chocolate, como bombons e barras. "No ano passado, até 61% dos consumidores diziam que tinham como principal foco a compra de ovos. Agora são 45%, ou seja, mais da metade pretende comprar outra coisa que não é ovo de páscoa. Isso é para não deixar de presentear, mas com um presente mais barato", afirma.
Orçamento achatado
O especialista da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor do Datacenso, Claudio Shimoyama, diz que as pesquisas indicam um achatamento no orçamento do brasileiro. Levantamento feito pela ACP e Datacenso entre os dias 7 e 8 de março prevê queda de 16% nas vendas da Páscoa no Paraná neste ano, em relação a 2014. Além disso, o gasto médio deve ficar em R$ 100, 14% menor que o registrado no ano passado. "Nos últimos dois anos, em função da inflação alta, aumento dos juros, queda no poder aquisitivo e outras ameaças, o consumidor ficou inseguro e segurou os gastos. Ele está mais consciente de que o dinheiro está curto e deixa de ser fiel à marca", afirma o economista.
O gerente comercial do Grupo Mufatto, Adilson Correa, diz que a mudança de hábito do consumidor já é uma realidade no ano todo e que se refletiria também na Páscoa. Por isso, o grupo previu aumento no faturamento de 8%, que é menor em relação às vendas de 2015. "Diversificamos as ofertas e incluímos uma marca mais barata, pensando na migração do consumo", afirma.
Em relação às barras e bombons, a estratégia foi aproveitar as ações promocionais das marcas, como descontos ou a oferta de levar três pelo preço de dois. "A agressividade das indústrias está muito maior que no ano passado", revela. Outra medida que traz resultados, diz, é a possibilidade de parcelamento.


