São Paulo - A indústria brasileira de chocolates aposta na força da tradição da Páscoa para remar na direção contrária à crise e vender mais chocolates do que em 2008, atingindo um faturamento de R$ 828 milhões - quase 8% superior ao ano passado. Isso, mesmo considerando que, para o consumidor, o ato de presentear com ovos de chocolate também tenham ficado 8% mais caro. Culpa da inflação e do aumento no preço dos insumos mais importantes (cacau, açúcar, leite), das embalagens e no custo da mão-de-obra, justificam os fabricantes.
A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), apresentada em coletiva, ontem, em São Paulo, é que sejam produzidas, este ano, 24 mil toneladas de ovos de Páscoa (das quais 3 mil toneladas representam a produção artesanal), o que equivale a aproximadamente 113 milhões de unidades. O volume é 4,8% maior que o produzido em 2008 e mantém o Brasil na segunda posição do ranking mundial de fabricação de ovos. Apenas a Inglaterra supera a marca brasileira.
''Apesar de ser um número grande, ainda temos muita oportunidade para crescer'', afirmou o vice-presidente de Comunicações da Abicab, Luis Felipe Rego, ao considerar o tamanho da população do País. Nos últimos anos, lembrou ele, a produção para a Páscoa vem tendo crescimento entre 4% e 5%.
Para os fabricantes de chocolates, a palavra crise não gera temores. Os números do Instituto Nielsen, apontou Rego, endossam esse otimismo. Nos meses de dezembro de 2008 e janeiro último, a indústria registrou crescimento de 5% em volume de produção e 11% em faturamento. ''Não queremos assumir que não existe crise, mas os números mostram que o mercado de chocolate continua crescendo'', reforçou ele.
Sobre o encarecimento de 8% no preço dos ovos, Luis Rego afirmou que o principal vilão foi o cacau. No período de produção dos ovos - de agosto a dezembro - o produto teve acréscimo de 26,2% na cotação da bolsa de valores de Nova Iorque. Já o açúcar aumentou 24% e o dólar passou de R$ 1,82 para R$ 2,03. Apesar do Brasil ter quase que auto-suficiência na produção de cacau (cerca de 90% do volume usado pelas indústrias), há interferência dos preços praticados no mercado internacional por ser uma commodity.
O diretor da Abicab não recomenda que o consumidor deixe para comprar os ovos de última hora, esperando quedas significativas nos preços por conta de um rearranjo em função de uma eventual retração na demanda (provocada pela instabilidade econômica), pois correrá o risco de não encontrar o produto desejado. No ano passado, há 15 dias da Páscoa, os ovos infantis haviam desaparecido do mercado, lembrou.
Outra previsão otimista da Abicab é que, ao longo de 2009, sejam produzidas, além dos produtos de Páscoa, outras 305 mil toneladas de chocolate de consumo continuado.
A jornalista viajou a convite da Kraft Foods Brasil/Lacta

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