Páscoa de 2020 tem lojas fechadas e ovos por delivery

A menos de três semanas da melhor data do ano para o comércio de chocolate, lojas e supermercados negociam preços, fazem promoções e investem em novos canais de venda

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

Com o comércio fechado para evitar aglomeração na cidade e combater a proliferação do novo coronavírus, a expectativa é que a Páscoa dos comerciantes esse ano seja fraca, em nome da saúde da população. Os supermercados são alguns dos poucos estabelecimentos a permanecerem abertos, e mantêm a projeção sobre as vendas. Quem perde mais são as lojas especializadas, para as quais a Páscoa é a principal data do ano. Estas apelam para outros canais de venda, como WhatsApp e aplicativos de delivery.


Páscoa de 2020 tem lojas fechadas e ovos por delivery
Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 


Todo o estoque de chocolate para a Páscoa de Luciano Matsumoto estava formado e pronto para a venda desde janeiro desse ano. Ele tem duas lojas da franquia de chocolates Brasil Cacau em Londrina. Para atender a alta demanda que costuma ocorrer nesse período do ano, o volume de itens colocados no estoque é o equivalente ao de cerca de cinco meses normais de operação. 




“Estamos planejando (a Páscoa) há mais de seis meses. Fazemos o pedido com um semestre de antecedência. Estávamos com o portifólio completo nas lojas. E como somos franqueados, não tem a questão da devolução de produtos. Veio esse problema e mudou todo o nosso planejamento. Estamos buscando alternativas.”


Para driblar o fechamento dos seus dois estabelecimentos, Matsumoto começou a divulgar a venda dos ovos pelo WhatsApp, com entrega por delivery. O proprietário também está buscando parcerias com pontos de venda que estão autorizados a funcionar, e colocando os produtos para venda em aplicativos de entrega. A promoção de ovos, que seria aplicada só se restasse produtos nas prateleiras, também foi antecipada. Mesmo assim, o empresário teme que menos de 50% do estoque seja vendido. 


Com as lojas fechadas, o presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Fernando Moraes, diz que é muito difícil prever o que será da Páscoa de 2020. Há até mesmo o receio de que encomendas não cheguem ou atrasem nas lojas, devido ao fechamento de fábricas pelo Brasil. “A gente imagina que (os comerciantes) vão sofrer demais. Os mercados, que estão abertos, nem tanto, mas tem muita gente que evita comprar supérfluos nesse momento.”


“Apesar da alta do dólar, com impacto nos principais itens da ceia de Páscoa, estávamos otimistas para a data, a espera de um crescimento entre 5% a 10% no volume de vendas em comparação a 2019”, conta Edney Fernandes, gerente comercial da Rede Viscardi. Segundo ele, a rede vinha notando um crescimento de 5% a 6% nas vendas de chocolate no início do mês, principalmente de barras e bombons. Mas com o fechamento do comércio em geral e o possível “achatamento” da renda familiar em função disso, a expectativa de crescimento não se confirma, afirma o gerente.


A indústria já está antecipando o cenário pessimista e trabalhando com o reposicionamento de preços para driblar o senso de “comprar somente o necessário”, conta Fernandes. “Apesar de faltar pouco mais de 15 dias para a Páscoa, ainda estamos otimistas em ter bons resultados. Estamos trabalhando juntamente com todos os fornecedores para que, apesar deste momento delicado, todos nossos clientes possam passar uma Páscoa com muitos chocolates e ovos de Páscoa”, ele conclui.


A Apras (Associação Paranaense de Supermercados) declarou, por meio da assessoria de imprensa, que mantém a estimativa de crescimento de 8% nas vendas de Páscoa em 2020, projetado devido à retomada econômica e do emprego no Brasil. 




A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) afirma que o chocolate da Páscoa de 2020 está em fase final de produção, e que ainda não é possível estimar o volume produzido esse ano. Em 2019, foram adquiridas 102,6 mil toneladas de produtos de chocolate na semana de Páscoa, o que corresponde a um consumo médio de 2,7 Kg por família. 

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