O Brasil possui uma ampla rede de telecomunicações e nossa energia elétrica é a mais barata do mundo. Um quilowatt de energia aqui custa 1 centavo, enquanto que no Japão custa U$ 1,32 e nos Estados Unidos custa US$ 0,80. O Brasil é o 4º maior mercado consumidor do mundo em produtos de higiene e limpeza, sendo ainda o 4º maior mercado do mundo de máquinas de lavar roupas, 3º maior em televisores e geladeiras. Até junho deste ano, o País produziu 1 milhão de automóveis.
Estamos hoje em 7º lugar no mundo entre os mercados, mercados que mais crescem e somos mais atraentes, por exemplo, do que a Itália, aos olhos dos investidores internacionais. Nossa bolsa de valores é eficiente e nosso mercado consumidor é enorme. A malha rodoviária do Brasil é ampla, porém ainda deficitária, mas de acordo com o tamanho do país que é 5º maior em extensão territorial do mundo. Nosso sistema bancário é muito eficiente, superando muitos dos países considerados de primeiro mundo.
O Brasil possui 10% do solo agricultável do planeta, constituindo-se num dos maiores produtores de alimentos e sabemos que quem produz o alimento é quem na verdade tem o poder de mando. Observem, por exemplo, o caso recente quando a China ameaçou invadir Taiwan. Os americanos mandaram um recado simples e direto para os chineses, que, caso eles invadissem Taiwan, os EUA embargariam imediatamente todos os carregamentos de grãos e alimentos que estavam destinados para a China. Simplesmente a China desistiu da invasão.
Voltando ao Brasil, temos hoje uma moeda estável e o País está classificado como o 5º polo do mundo em novos investimentos realizados. O País vendeu 4 milhões de geladeiras em 1996, recorrendo até às importações para atender a demanda interna de mercado.
Um dado extremamente interessante e que nos mostra que o País está atento a velocidade da mudança mundial em todo esse processo de globalização é que 40% do nosso faturamento vem de produtos novos, ou seja, aliado a novas tecnologias e atento a todas as modificações ambientais. O Brasil deverá receber 12 bilhões de dólares em investimentos somente neste ano de 1997.
Que país é este? É isso mesmo, é o Brasil. Esse mesmo País que por muitas vezes ouvimos pelas conversas das esquinas, reclamações quanto ao plano, quanto a política e quanto as mazelas sociais e econômicas. Porém, antes de mais nada, é preciso que nós brasileiros vejamos que numa mudança radical no perfil da economia e no comportamento do povo, o remédio não pode somente ter gosto de ‘‘moranguinho’’. Alguma coisa amarga também vem.
Mas o que mais vale é que muitos resultados estão aparecendo, independente de partidarismo, deste ou daquele. O que está em jogo é o ‘‘Partido Brasil’’. É preciso acabar com revanchismos políticos em nome da nação. Precisamos também enxergar essa pátria maravilhosa em que vivemos, que merece muito mais do que nosso voto de confiança, merece nosso amor.
Esse País de tantas potencialidades, que ainda podemos dizer que o Brasil é uma terra de oportunidades. Fala-se muito em desemprego, mas a maioria do desemprego por aqui é ainda estrutural, ou seja, para o trabalho qualificado sobre emprego. Trabalho qualificado é exercido pelo especialista. Se o País está mudando, nós também temos que mudar com pessoas.
Num momento em que existem 120 milhões de desempregados no mundo e mais 700 milhões de pessoas vivendo de subempregos, onde até países como França, Alemanha, Itália e Espanha com índices extratosféricos de desemprego, vem amargando decepções, o País, com todas as dificuldades que sabemos, continua com taxas de desemprego 50% menores do que esses países ou no caso da Espanha que tem um desemprego 4 vezes maior do que o Brasil.
O momento não é de euforia mas é de trabalho, como disse recentemente o economista John Galbreith. ‘‘A vocês do Brasil meus parabéns e meus pêsames. Meus parabéns porque vocês estão a caminho da modernidade tecnológica e meus pêsames porque vocês vão ter que começar a trabalhar’’. Acreditar no Brasil é acreditar que todos somos capazes de transformar, afinal esse país somos todos nós.
- GILCLÉR REGINA é consultor, autor do livro ‘‘No Topo do Mundo - Motivados para Vencer’’ e membro da ASQC - American Society for Quality Control

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