Participantes de jornada condenam os transgênicos
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A suspensão das importações da soja brasileira pela China endossou os dicursos de abertura da 3º Jornada de Agroecologia, ontem, em Ponta Grossa. Os representantes de cerca de 30 entidades que participam da discussão atacaram o cultivo de transgênicos e defenderam um novo modelo para a organização da agricultura, colocando a agroecologia (produção sustentável sem uso de agrotóxicos) em substituição ao agronegócio.
''A China se recusando a importar soja brasileira demonstra que a produção de transgênicos não tem espaço de comercialização no mercado internacional'', declarou o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e um dos coordenadores do evento, Roberto Baggio. Segundo ele, os ''camponeses'' e pequenas organizações do campo já vêm mostrando a possibilidade de construir uma matriz agroecológica para que o País possa se ''livrar'' das multinacionais.
Baggio citou experiências bem-sucedidas como a do Assentamento Santa Maria, em Paranacity (66 quilômetros ao norte de Maringá), onde 25 famílias beneficiárias da reforma agrária criaram a Cooperativa de Produção Vitória (Copavi) e desenvolvem todo o processo da agroindústria produzindo carnes de frango e porco, leite, verduras, melado, cachaça, etc. dentro da matriz da agroecologia. Segundo ele, somente na região Centro-Sul do Paraná, existem aproximadamente quatro mil famílias que adotam o cultivo sem uso de agrotóxicos.
No encerramento do evento, sábado, os participantes conhecerão a produção de sementes crioulas de milho, feijão e arroz feita na fazenda da Monsanto, em Ponta Grossa, ocupada em 16 de maio do ano passado por famílias de sem-terra. O local foi batizado de Centro Chico Mendes de Agroecologia.
A multinacional norte-americana Monsanto, no entanto, não desistiu de retomar a área. Segundo a assessoria de imprensa, a empresa ainda aguarda o cumprimento do mandado judicial de reintegração de posse, concedido pelo juiz Salvatore Antônio Astuti, no mesmo dia da ocupação.


