Participação nos lucros cresceu em 2005
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um estudo divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) apontou que, em 2005, foram realizados cerca de 180 acordos de Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) que beneficiaram 70 mil paranaenses. O valor total pago foi de R$ 140 milhões o que significa uma média de R$ 2 mil por trabalhador. O montante financeiro é 6% maior que o ano anterior devido a correção pela inflação.
O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, disse que a PLR é paga por quase todas as grandes empresas do Estado e está sendo ampliada para as companhias de médio porte. ''A pressão dos sindicatos e a maturação da legislação que criou a PLR em dezembro de 1994 vem ampliando a abrangência do pagamento deste benefício'', disse.
Cerca de 90% dos acordos de PLR dos metalúrgicos são da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No caso dos bancários, 60% dos acordos foram fechados para trabalhadores da RMC. Entre os setores que têm mais tradição de pagar a PLR estão as estatais como Copel e Sanepar, as empresas da área de metalurgia, os bancos e o setor de telecomunicações.
''A lei não obriga pagar a PLR mas traz benefícios fiscais e redução de encargos sociais para as empresas'', disse Cordeiro. O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que 60% das negociações foram realizadas pelos sindicatos, 25% com sindicatos e comissões de trabalhadores e 14% através apenas de comissões de trabalhadores. Cordeiro disse que a principal vantagem para o trabalhador é ter mais dinheiro no bolso. Em média, a PLR fica em dois salários do funcionário e representa 14% a mais na renda anual.
Por outro lado, segundo os representantes do Dieese, as empresas ganham em qualidade e produtividade e têm redução de custos. A PLR representa hoje 8% da massa salarial mensal no Paraná que é de R$ 1,710 milhão.
Mas, Silva destaca que o lado negativo é que as empresas geralmente não querem discutir aumento de salário com base em aumento de produtividade. ''Aumenta a produtividade mas não é elevado o salário do trabalhador'', disse. Segundo Cordeiro, algumas empresas estabelecem muitas regras e o trabalhador não consegue cumprir. ''Deveriam ser poucas metas e simples senão o trabalhador fica desmotivado. Muitas vezes, as metas são inatingíveis'', destacou. Entre os indicadores utilizados para a PLR estão assuidade, lucro e rentabilidade, conformidade, redução de acidentes e de despesas.
O estudo do Dieese, que levou em conta 123 amostras de acordos e convenções, mostrou que as Regiões Sul e Sudeste representam 63,4% das PLRs. Entre os Estados, os destaques foram São Paulo (25% dos acordos), Paraná (14,6%), Minas Gerais e Ceará (9,8% cada). Do conjunto de documentos pesquisados, 73% estão concentrados nas indústrias, 14% no setor de serviços e 13% do comércio.
No Brasil, os maiores porcentuais de acordos de PLR foram entre as categorias de metalúrgicos (36,6%), químicos (13,8%), comerciários (13%), urbanitários (8,9%), no setor de transportes (6,5%), de alimentação (4,9%), vestuário (3,3%), bancários (2,4%) e telecomunicações (2,4%). Na amostra analisada, 51% dos acordos pagaram os valores da PLR de forma desigual. Cerca de 12,4% dos principais motivos de greves no Brasil em 2005 foi a PLR. A questão reajuste salarial apareceu em 47,2% dos casos.


