O consumo de produtos importados não inunda apenas a vida do consumidor final do País, mas também a indústria, principalmente a de transformação. É o que comprova o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem em parceria com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). De acordo com o levantamento, o coeficiente de penetração de importações atingiu 22,5%, o mais alto da série histórica iniciada em 2007. Ele corresponde à participação dos produtos importados no consumo doméstico de bens industriais, considerando tanto o consumo final quanto o intermediário (insumos para a indústria). O aumento foi de 0,4% em relação ao último trimestre de 2013 e de 1,4% no comparativo com o primeiro trimestre do ano passado.
O principal responsável pelo crescimento do coeficiente é a indústria de transformação. Ela passa por aumentos persistentes de importações e seu indicador – sozinho – subiu de 20,5% no final do ano passado para 20,9% no primeiro trimestre de 2014. Dentre os 23 setores da indústria de transformação pesquisados, o coeficiente de penetração de importações aumentou em 20, sendo as principais altas na indústria de veículos automotores (0,7%), vestuário (0,6%), têxteis (0,6%) e produtos de setor metalúrgico (0,5%).
O gerente executivo da unidade de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, explica que o avanço da participação das importações não faz parte de uma estratégia das empresas, mas confirma a falta de competitividade da indústria brasileira. "Com baixa produtividade e custos elevados, a indústria nacional está perdendo mercado. Os empresários estão sofrendo demasiadamente com o chamado Custo Brasil. Como a confiança do setor é baixa, não há perspectiva para investimentos futuros e mudança desse cenário".
Se o coeficiente da importação aumenta, o da exportação – que corresponde ao percentual do faturamento da indústria que provém das exportações – permanece congelado. No primeiro trimestre deste ano, ele fechou em 19,8%, praticamente o mesmo observado no quarto trimestre do ano passado, quando ficou em 19,7%. O valor das exportações de produtos industriais em dólares no primeiro trimestre deste ano é menor que o observado no último trimestre de 2013 (redução de 1%). Em reais, as exportações aumentaram 2,6%. "Em relação as exportações, o País não consegue repetir os bons números de antes da crise internacional de 2008, seguindo com déficit em relação aos produtos manufaturados", complementa Fonseca.

Imagem ilustrativa da imagem Participação de importados na indústria bate novo recorde



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