Participação de importados na indústria bate novo recorde
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O consumo de produtos importados não inunda apenas a vida do consumidor final do País, mas também a indústria, principalmente a de transformação. É o que comprova o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem em parceria com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). De acordo com o levantamento, o coeficiente de penetração de importações atingiu 22,5%, o mais alto da série histórica iniciada em 2007. Ele corresponde à participação dos produtos importados no consumo doméstico de bens industriais, considerando tanto o consumo final quanto o intermediário (insumos para a indústria). O aumento foi de 0,4% em relação ao último trimestre de 2013 e de 1,4% no comparativo com o primeiro trimestre do ano passado.
O principal responsável pelo crescimento do coeficiente é a indústria de transformação. Ela passa por aumentos persistentes de importações e seu indicador sozinho subiu de 20,5% no final do ano passado para 20,9% no primeiro trimestre de 2014. Dentre os 23 setores da indústria de transformação pesquisados, o coeficiente de penetração de importações aumentou em 20, sendo as principais altas na indústria de veículos automotores (0,7%), vestuário (0,6%), têxteis (0,6%) e produtos de setor metalúrgico (0,5%).
O gerente executivo da unidade de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, explica que o avanço da participação das importações não faz parte de uma estratégia das empresas, mas confirma a falta de competitividade da indústria brasileira. "Com baixa produtividade e custos elevados, a indústria nacional está perdendo mercado. Os empresários estão sofrendo demasiadamente com o chamado Custo Brasil. Como a confiança do setor é baixa, não há perspectiva para investimentos futuros e mudança desse cenário".
Se o coeficiente da importação aumenta, o da exportação que corresponde ao percentual do faturamento da indústria que provém das exportações permanece congelado. No primeiro trimestre deste ano, ele fechou em 19,8%, praticamente o mesmo observado no quarto trimestre do ano passado, quando ficou em 19,7%. O valor das exportações de produtos industriais em dólares no primeiro trimestre deste ano é menor que o observado no último trimestre de 2013 (redução de 1%). Em reais, as exportações aumentaram 2,6%. "Em relação as exportações, o País não consegue repetir os bons números de antes da crise internacional de 2008, seguindo com déficit em relação aos produtos manufaturados", complementa Fonseca.

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