Participação da sociedade garante sucesso de planejamento estratégico
Especialistas dizem em Londrina que comunidade precisa assumir como suas propostas de longo prazo para evitar mudanças drásticas com eleição de novo governante
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de outubro de 2019
Especialistas dizem em Londrina que comunidade precisa assumir como suas propostas de longo prazo para evitar mudanças drásticas com eleição de novo governante
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
O sucesso de um planejamento estratégico municipal depende da participação dos mais variados representantes da sociedade, desde moradores de regiões pobres a líderes empresariais e comunitários, para evitar que eventuais trocas de comando no governo interrompam o desenvolvimento local. A opinião é da secretária executiva de Itajaí (SC), Raquel Gastaldi, e do economista e ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, que participaram nesta quinta-feira (8) do 3º Fórum em Debate, com o tema “Planejamento Estratégico do Município de Londrina”, no campus londrinense da Unicesumar.

Organizado pelo Fórum Desenvolve Londrina, as palestras e o painel interativo com o público buscaram demonstrar experiências estaduais, no caso capixaba, e uma que foi implantada há menos de três anos, no exemplo de Itajaí. Os dois puderam assim contribuir com a criação do masterplan, ou plano para os próximos 30 anos na cidade, debatido neste ano pelo órgão.
O tema foi escolhido para este ano pelo fórum e tem apoio da Prefeitura. O diretor da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Bruno Ubiratan, afirmou durante o evento que o previsão é que a licitação para contratar a consultoria que será responsável pela organização das discussões sobre o masterplan ocorra em 1º de novembro. “É algo que vai virar realidade na cidade para que finalmente possamos planejar nosso futuro”, disse Ubiratan.
Hartung considerou que as oficinas e debates contribuem até mesmo para a formação de líderes na sociedade. Ele citou o movimento que começou nos anos 1990 no Espírito Santo, que foi puxado por representantes de igrejas como resposta à falta de segurança pública no Estado. E lembrou que o segundo grupo a se organizar pela mesma demanda foi o empresarial. “Se é feita uma coisa que envolva a sociedade, há perenidade dessas ideias e pode ter uma ‘troca de guarda’ [de mandato eleitora] que não vai haver retrocesso, porque houve a formação de uma cultura”, disse o ex-governador capixaba.

Gastaldi concordou e apontou números que ela considera que criaram uma mudança de cultura em Itajaí. Ela afirmou que o processo de implantação do planejamento estratégico até 2040 na cidade catarinense envolveu 480 líderes segmentais e 1.800 pessoas, que propuseram 1.888 ideias para o futuro da cidade divididos em 12 painéis, além de 101 tendências de boas práticas divididas em 24 áreas.
A secretária em Itajaí afirmou que o planejamento resultou em um banco de projetos com 233 propostas em execução ou planejadas, que equivalem a cerca de R$ 800 milhões em investimentos. “Esses nossos dois anos foram intensos e ricos, e continuam a ser”, contou. “A comunidade e a sociedade que participaram estão vivenciando os resultados em tão pouco tempo, porque o elo político se rendeu a esse planejamento, então acreditamos que vai ter continuidade independentemente de quem esteja no comando”, completou Gastaldi.
COM FLEXIBILIDADE
Apesar da necessidade de se evitar arroubos de governantes, ex-governador capixaba lembrou que é preciso adaptar o que se planeja à realidade. Ele lembrou que, durante o último mandato dele (2015 a 2018), enfrentou a maior crise hídrica do estado em 80 anos, uma queda gigantesca no preço internacional do barril de petróleo - que é uma das principais fontes de arrecadação em royalties e participação por lá - e o desastre da queda da barragem de rejeitos em Mariana (MG), que gerou uma perda de 5% no PIB estadual porque a transformação do minério de ferro é feita no litoral do Espírito Santo.
“Tínhamos um planejamento estratégico 2020-30, com projetos detalhados, um mapa de orientação, mas tudo o que aconteceu não estava nesse mapa. Tivemos de ir adaptando à realidade”, contou.


