O sucesso de um planejamento estratégico municipal depende da participação dos mais variados representantes da sociedade, desde moradores de regiões pobres a líderes empresariais e comunitários, para evitar que eventuais trocas de comando no governo interrompam o desenvolvimento local. A opinião é da secretária executiva de Itajaí (SC), Raquel Gastaldi, e do economista e ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, que participaram nesta quinta-feira (8) do 3º Fórum em Debate, com o tema “Planejamento Estratégico do Município de Londrina”, no campus londrinense da Unicesumar.

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. | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

Organizado pelo Fórum Desenvolve Londrina, as palestras e o painel interativo com o público buscaram demonstrar experiências estaduais, no caso capixaba, e uma que foi implantada há menos de três anos, no exemplo de Itajaí. Os dois puderam assim contribuir com a criação do masterplan, ou plano para os próximos 30 anos na cidade, debatido neste ano pelo órgão.

O tema foi escolhido para este ano pelo fórum e tem apoio da Prefeitura. O diretor da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Bruno Ubiratan, afirmou durante o evento que o previsão é que a licitação para contratar a consultoria que será responsável pela organização das discussões sobre o masterplan ocorra em 1º de novembro. “É algo que vai virar realidade na cidade para que finalmente possamos planejar nosso futuro”, disse Ubiratan.

Hartung considerou que as oficinas e debates contribuem até mesmo para a formação de líderes na sociedade. Ele citou o movimento que começou nos anos 1990 no Espírito Santo, que foi puxado por representantes de igrejas como resposta à falta de segurança pública no Estado. E lembrou que o segundo grupo a se organizar pela mesma demanda foi o empresarial. “Se é feita uma coisa que envolva a sociedade, há perenidade dessas ideias e pode ter uma ‘troca de guarda’ [de mandato eleitora] que não vai haver retrocesso, porque houve a formação de uma cultura”, disse o ex-governador capixaba.

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. | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

Gastaldi concordou e apontou números que ela considera que criaram uma mudança de cultura em Itajaí. Ela afirmou que o processo de implantação do planejamento estratégico até 2040 na cidade catarinense envolveu 480 líderes segmentais e 1.800 pessoas, que propuseram 1.888 ideias para o futuro da cidade divididos em 12 painéis, além de 101 tendências de boas práticas divididas em 24 áreas.

A secretária em Itajaí afirmou que o planejamento resultou em um banco de projetos com 233 propostas em execução ou planejadas, que equivalem a cerca de R$ 800 milhões em investimentos. “Esses nossos dois anos foram intensos e ricos, e continuam a ser”, contou. “A comunidade e a sociedade que participaram estão vivenciando os resultados em tão pouco tempo, porque o elo político se rendeu a esse planejamento, então acreditamos que vai ter continuidade independentemente de quem esteja no comando”, completou Gastaldi.

COM FLEXIBILIDADE

Apesar da necessidade de se evitar arroubos de governantes, ex-governador capixaba lembrou que é preciso adaptar o que se planeja à realidade. Ele lembrou que, durante o último mandato dele (2015 a 2018), enfrentou a maior crise hídrica do estado em 80 anos, uma queda gigantesca no preço internacional do barril de petróleo - que é uma das principais fontes de arrecadação em royalties e participação por lá - e o desastre da queda da barragem de rejeitos em Mariana (MG), que gerou uma perda de 5% no PIB estadual porque a transformação do minério de ferro é feita no litoral do Espírito Santo.

“Tínhamos um planejamento estratégico 2020-30, com projetos detalhados, um mapa de orientação, mas tudo o que aconteceu não estava nesse mapa. Tivemos de ir adaptando à realidade”, contou.

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