Parte do rebanho paranaense vai continuar sem receber a vacina contra a febre aftosa, apesar de a campanha estadual ser encerrada oficialmente amanhã. Esses animais estão nas fazendas interditadas são cerca de 60 propriedades pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em razão da suspeita da febre aftosa no Estado. Eles tiveram contato com o gado do Mato Grosso do Sul onde já foram confirmados 22 focos da doença.
Esse é o caso do pecuarista Zeferino Golfet Júnior, de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). Sua propriedade foi interditada pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) porque ele comprou 20 garrotes no Leilão 10 Marcas, realizado no início de outubro. Os animais, segundo ele, não apresentam qualquer sintoma de aftosa, mas foram colocados em quarentena porque tiveram contato com cabeças do Mato Grosso do Sul.
De acordo com Golfet, os garrotes chegaram até a engordar durante esse período. ''Os técnicos já coletaram material dos animais para realização do exame e nem me informaram o resultado. Minha propriedade e até a dos meus vizinhos estão interditadas e, inclusive, está todo mundo bravo comigo'', afirmou. Ele diz se sentir ''amarrado'' pela situação que se criou.
''Estou tendo prejuízos. Preciso transferir o rebanho para outra propriedade porque o pasto não vai aguentar. Mas não posso fazer nada por causa dessa indefinição'', desabafou o pecuarista.
Já o produtor Gilberto Bernini, de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana), cuja propriedade está interditada por estar no raio de segurança, está apavorado com a falta de dinheiro para pagar os salários e o 13º dos funcionários. O leite, segundo ele, está sendo recolhido por um laticínio da cidade mas não tem data nem valor para ser pago. Ele reclama ainda de não poder dar assistência aos animais. ''Os carrapatos e bernes estão atacando o gado e não podemos fazer nada. Até quando vamos ter que suportar essa situação?'', questionou.
O pecuarista Alexandre Turquino, um dos responsáveis pelo Leilão 10 Marcas, também teve interditada sua propriedade localizada em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Segundo ele, os animais também não apresentam qualquer sintomatologia, mas foram colocados em quarentena porque tiveram contato com bovinos do Mato Grosso do Sul. ''O nosso patrimônio está dependendo de uma briga de governos (federal e estadual), que estão cometendo erro em cima de erro'', afirmou.
Na sua avaliação, a vacinação nesse rebanho deveria ser liberada em regime de urgência. ''O nosso nome e o do leilão foram enxovalhados e os resultados todos deram negativo. Estamos cuidando agora de um vírus virtual porque não existe aftosa no Paraná''.
A vacinação desse rebanho é uma das principais reivindicações da Sociedade Rural do Paraná (SRP), que acredita que esses animais estejam suscetíveis à aftosa, uma vez que já foram confirmados 22 focos da doença no Estado vizinho do Mato Grosso do Sul. No entanto, a assessoria de imprensa da Seab disse ontem que o órgão irá manter a resolução 98 do Ministério da Agricultura que proíbe a vacinação nesse rebanho.
Técnicos do Mapa explicaram que a vacinação não pode ser feita nesses animais porque pode mascarar o resultado da doença se, eventualmente, o rebanho tiver que ser submetido a exames. A coleta de material nesses animais já estaria sendo feita, mas seria preciso um laudo conclusivo para liberar a vacinação, uma vez que poderá haver a necessidade de coleta de mais material para contra-prova. (Colaborou Célia Guerra)

mockup