‘‘Apartheid’’ agrícola

- Fracassaram ontem as propostas argentina e brasileira no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) de liberalização do setor agrícola antes de 1999. As pelo menos três sugestões para acelerar a abertura do mercado agrícola, apresentadas na primeira reunião ministerial da OMC, em Cingapura, foram rejeitadas pelos europeus. Segunda-feira, durante a abertura da conferência, as delegações latino-americanas denunciaram o ‘‘apartheid’’ que sofre o setor agrícola, mas os países desenvolvidos não tomaram conhecimento desses protestos e centraram suas discussões em temas ‘‘mais lucrativos’’, como o da liberação do comércio na área da tecnologia de infomação e de telecomunicações, conforme informa o repórter Wladimir Goiatia, enviado especial da ‘‘Agência Estado’’. A ‘‘disposição’’ da assembléia não tocar avante temas mais ousados pela a América Latina, vai refletir no mercado nas próximas temporadas de comercialização das safras norte-americanas, brasileira e argentina.
- A Argentina propôs um texto para uma ‘‘maior flexibilização’’ do calendário agrícola, mas a União Euroéia se opôs totalmente. Os europeus não querem que o tema seja abordado pela OMC antes de 1999, quando começam a cair as barreiras alfandegárias previstas na Rodada Uruguai do Gatt. A posição da UE é irreversível pois sofre forte pressão de produtores europeus, que recebem US$ 500 bi por ano em subsídios. Os subsídios são outra questão a ser escamoteada pela UE e representantes dos Estados Unidos.
- Se em termos de negociação a participação brasileira (e da Argentina) fracassa, a delegação tem pelo menos um ponto positivo para explorar internamente. É a clara posição irredutível da UE, EUA e Japão, de subsidiar suas exportações. Que sirva de exemplo. Aqui o subsídio agrícola sempre foi saco-de-pancadas de todas as correntes políticas. E para seduzir a opinião pública projetou-se a (falsa) imagem de que subsídio é privilégio. A produção, em vez de receber apoio é punida com impostos que não perdoam sequer a cesta básica.
- Ontem, a portas fechadas, as delegações japonesa e européia começaram a discutir as vantagens comerciais que traria a redução de impostos de importação em produtos da área da tecnologia de informação. As duas potências econômicas acreditam que esse acordo será o acontecimento mais importante da primeira reunião ministerial da OMC desde que foi criada, em janeiro de 1995. O Acordo da Tecnologia de Informação (ATI), que deve permitir a eliminação, até o ano 2000, das barreiras comerciais para a maioria dos produtos de computação e de telecomunicações, também foi o tema principal dos encontros ontem entre o Japão, EUA e Canadá em Cingapura.

Uva/leilão

- O leilão de uvas através de bolsa, ontem, em Maringá, vendeu apenas dois dos 23 lotes ofertados, que totalizavam 14 mil quilos. O baixo volume ofertado não atraiu compradores: o interesse também foi modesto, a julgar pelo resultado.
Tentativa
- O agrônomo José Odair Mazia, da Emater, não considera um fracasso. Ele acha que foi um bom indicador de que os leilões poderão ser viáveis. Tanto que serão retomados a partir do dia 16, duas vezes por semana e em maior volume.
Preço
- O preço dos dois lotes adquiridos foi de R$ 1,80/kg. A expectativa de preço era de R$ 1,60 a R$ 2,00/kg. A Associação dos Produtores e a Emater esperam vender 8 milhões de quilos, através de leilões, ainda nesta safra.
Colheita
- ‘‘A oferta vai crescer e as vendas também’’, prevê Mazia. Só o município de Marialva espera colher 18 mil toneladas, segundo previsão da Emater. O pico da safra começa dia 20 próximo.
Perecíveis
- Também a superintendência da Bolsa está otimista, conforme apurou o jornalista Guto Rocha. Para a Bolsa, o mercado de produtos perecíveis existe. Ontem, seis Estados teriam mostrado interesse pelo leilão de uvas.

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