Ribeirão Preto - O parque citrícola comercial brasileiro está há dois meses e meio sem relato de novos casos de morte súbita dos citros (MSC). O último registro foi feito pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) em 29 de outubro de 2003 e até então era alarmante. Isso porque, na época, entre os seis municípios com novos casos estavam Bebedouro e em Monte Azul Paulista. A primeira cidade é a porta da região na qual estão concentrados os maiores pomares do País e as maiores indústrias processadoras de suco de laranja. Monte Azul Paulista é um dos maiores centros produtores de mudas cítricas do País.
Sem novos casos, permanece em 29 o número de municípios com o registro da doença, 18 deles em São Paulo e 11 em Minas Gerais. No entanto, segundo avaliação feita pelo setor, ainda é cedo para afirmar que a MSC está controlada. ''Pelo que observamos, a doença tem um período de incubação de pelo menos dois anos. Por isso há uma defasagem entre o momento da contaminação e o da expressão de sintomas, o que significa que devem existir plantas infectadas além da área onde há árvores com sintomas'', diz o pesquisador Armando Bergamim Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Para ele, essa ''trégua'' permite que o citricultor tenha tempo para se prevenir, plantando novas variedades que não sejam as com porta-enxerto de limão cravo, única comprovadamente suscetível à MSC.
Avanço - O Fundecitrus concluiu levantamento da incidência da morte súbita, feita com a verba de R$ 2,15 milhões repassada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e concluiu que a doença avançou 60 quilômetros em um ano. O levantamento é o primeiro cálculo da velocidade de avanço da doença já feito. Os dados foram analisados por pesquisadores do Fundecitrus e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), com a colaboração do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O prejuízo com a erradicação de pelo menos 2 milhões de pés de laranja em áreas com incidência de morte súbita dos citros chegou a US$ 40 milhões, segundo cálculos do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

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