Parque cafeeiro pode ser reduzido em 10%
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Os preços pouco estimulantes e os altos custos devem provocar nova redução na área de café do Paraná. Ainda não existem estimativas oficiais, mas a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) aposta em diminuição de 10% nos 284 milhões de pés cultivados no Estado. Entre os cafeicultores que permanecem na atividade, porém, a tendência é de melhoria nos tratos culturais para garantir maior produtividade no ano que vem.
''A cafeicultura paranaense se solidifica com pequenas propriedades bastante produtivas'', opinou Paulo Sérgio Franzini, coordenador estadual da previsão de safra de café da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). O órgão começa, no final deste mês, a avaliar qual será a área da lavoura para a próxima safra. ''Constatamos erradicação de lavouras em todas as regiões cafeeiras'', revelou, acrescentando que são áreas antigas cultivadas no sistema tradicional (não adensado). ''Também observamos novos plantios'', lembrou.
Em 2000, antes da geada que dizimou várias plantações, o Estado tinha 165 mil hectares. Este ano, levantamento feito em maio indicou que havia 135 mil hectares cultivados e 126 mil hectares produtivos.
Franzini afirmou que a redução de área indica melhoria nos preços para a safra do ano que vem. Por isso, os produtores com perspectiva de bons resultados devem investir nos tratos culturais, mudando a tendência observada nos últimos três anos, quando a falta de capital impediu o manejo adequado. ''Quem ficou vai investir para garantir boa produção'', opinou.
Ontem, a saca de café tipo 6 foi cotada a 165,00, em Londrina. O custo de produção no Estado, segundo o especialista, é de R$ 140,00 por saca, em sistema adensado, e R$ 170,00 a R$ 200,00 por saca no sistema tradicional. ''Para esses cafeicultores (que plantam no sistema tradicional), a atividade é inviável'', comentou.
Francisco Barbosa Lima, engenheiro agrônomo do Departamento Nacional de Café (Decaf) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), acrescentou que os preços praticados nesta safra estão melhores que os do ano passado, oferecendo mais condições de investimento nos tratos. ''A perspectiva é de uma safra boa no ano que vem. Quem espera produzir bem vai dar um jeito de investir.''
Contratos de opçãoT Termina hoje o prazo para os produtores confirmarem o exercício da opção dos contratos adquiridos do governo, que pagará 190,00 por saca de café tipo 6, bebida dura. Ontem, de acordo com o corretor Devanil Vicente Ferreira, de Londrina, o mercado fechou em compasso de espera. ''A expectativa é que as altas registradas no mercado internacional, nos últimos dias, sejam finalmente repassadas para o mercado interno'', comentou.
O prazo para entregar o produto ao governo vence no dia 30. Até lá, o produtor pode mudar de idéia e vender para outros compradores, caso o preço do mercado seja mais compensador.


