Parmalat quer popularizar marca Batavo
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Vânia Casado 
A compra da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná pela Parmalat, em abril, permitiu o aumento da receita da Batávia, empresa que sucedeu a CCLPL. O faturamento de R$ 400 milhões obtido em 1997 deve chegar a R$ 500 milhões este ano, com o incremento nas vendas de leite longa vida e lançamento de produtos mais nobres como iogurte com lactobacilos, sobremesas light e capuccino. A meta é atingir um faturamento anual de até R$ 700 milhões no ano 2000.
O lançamento de novos produtos revela que a parceria com a Parmalat não impediu os planos de crescimento da marca Batavo, disse o presidente da Batávia, Dick Carlos de Geus. A multinacional está investindo para que a Batavo deixe de ser uma marca regional para ganhar o mercado nacional. Para isso, a Parmalat e a Batavia, que mantém a marca paranaense, deverão investir pesado para conquistar os mercados dos estados acima de São Paulo.
Novos mercados A conquista de novos mercados vai ocorrer com o lançamento de produtos de maior valor agregado, como iogurtes. Atualmente a Batávia atende 11% do mercado nacional de iogurtes, destinando para a fabricação do produto 120 mil litros de leite/dia. Com a destinação de mais 60 mil litros de leite por dia, que não implica em aumentar muito o volume de recebimento de leite, pode aumentar sua participação para 16%, no curto prazo, destacou De Geus.
O objetivo não é ser o primeiro no ranking nacional, mas manter a imagem de qualidade, com preços competitivos. A Batávia reúne as condições para isso, a começar pela excelente qualidade do leite fornecido pelos produtores, justificou.
Ao mesmo tempo em que aposta no lançamento de produtos de maior valor agregado no mercado, a Batávia está investindo na ampliação das instalações industriais de Santa Catarina, com a incorporação da ex-cooperativa Agromilk ainda pela CCLPL, e no incentivo à modernização das propriedades para aumentar a produtividade do leite. Em Concórdia, oeste de Santa Catarina, a Batávia investiu R$ 10 milhões na construção de uma estação de tratamento de água e outra de tratamento de efluentes.
A fábrica terá triplicada sua capacidade de envase de leite longa vida, passando dos atuais 90 mil litros diários para 330 mil litros por dia. A unidade vai industrializar também manteiga e doce de leite, além do creme de leite que já produzia antes. Somando-se à produção de 500 mil litros de leite por dia na unidade de Carambeí, a produção de leite total da Batávia deverá atingir 820 mil litros diários.
A Batávia está negociando um financiamento de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões para investimentos dos produtores em Concórdia. Segundo De Geus, a realidade naquele estado é bem diferente da dos produtores da região de Castro, no Paraná, que tem a melhor bacia leiteira do País. No Paraná, todas as propriedades fornecedoras da Batávia já possuem os equipamentos de resfriamento e os produtores se voltam agora para identificar uma linha de crédito mais adequada para a modernização dos equipamentos.
Com a consolidação desses planos de crescimento e modernização, De Geus disse estar consciente que optou pela solução mais adequada ao projeto de crescimento da Batávia, beneficiando com isso os 800 produtores na região de Castro e dos 10.000 pequenos produtores da região Oeste de Santa Catarina, que eram filiados à Cooperativa Central e estão mantidos no quadro de fornecedores da nova empresa. Com a reestruturação, os produtores continuam com a garantia de que serão os fornecedores da nova empresa.
O preço pago no leite, de R$ 0,306 por litro, disse De Geus, continua sendo superior à média paranaense como era antes.
Carnes A Batavia está se preparando para crescer também no mercado de carnes, basicamente com suínos e aves. Segundo De Geus, a Parmalat se interessou por explorar esse mercado que tem um potencial grande na linha de produtos acabados e semi-acabados.
Para isso a empresa vai ampliar a atual capacidade de abate de suínos, que é de 1.400 cabeças por dia para 2.500 cabeças, até o ano 2000. A prioridade será à produção de produtos embutidos com qualidade, cujo mercado é pouco explorado.
Cooperados da Batavo Com a venda da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLPL) para a Parmalat, 1.300 produtores que eram cooperados foram ressarcidos no valor de R$ 22 milhões. Esses recursos correspondem à integralização de capital pelos produtores, por meio da retenção de um percentual na entrega dos produtos no decorrer de uma década. Os produtores de suínos tinham uma retenção de 0,5% sobre a produção entregue e os produtores de leite, cerca de 1,5%. Cada produtor beneficiado recebeu o equivalente ao capital integralizado durante o período que esteve filiado à cooperativa.
A devolução desse capital foi uma das condições impostas no processo de negociação com a Parmalat, revelou o presidente da Batavia, Dick De Geus. Segundo ele, com a desativação da CCLPL não havia mais sentido em reter o aporte de recursos realizado pelos produtores, e a decisão de devolver esse dinheiro foi um dos destaques positivos da negociação.
A devolução foi feita aos produtores que estavam na ativa, sendo que os produtores que se desligaram da cooperativa por idade, doença ou decisão pessoal já tiveram acesso a essa parcela, anteriormente.


