São Paulo - Analisar apenas o grau de penetração dos leites UHT (longa vida) no mercado brasileiro, que chega a 99%, pode transmitir uma falsa impressão da real oportunidade que esse segmento apresenta. Ciente desse fato, a líder Parmalat não pára de se mover para garantir sua posição, tanto que anunciou nesta semana o relançamento de sua linha de funcionais e não descarta futuros investimentos para fomentar o consumo da bebida no País.
''O Brasil apresenta um potencial enorme de crescimento porque o consumo per capita ainda é muito baixo (em torno de 47 litros por ano) em relação ao de outros mercados, que chegam a consumir mais de 130 litros por ano'', afirma o diretor-executivo da unidade de negócios Leite e Refrigerados, José Antonio Fay. ''Estamos estudando, inclusive, algum tipo de aproximação com o mercado que torne possível elevar esse consumo.''
Embora não especifique que tipo de investimento estuda fazer para fomentar o consumo de leite no mercado brasileiro, o executivo cita o sucesso do ''Drink Milk'', movimento que as indústrias leiteiras norte-americanas recentemente encamparam na tentativa de fomentar o consumo da bebida naquele país. Líder no mercado brasileiro de leites com 18% de participação, a Parmalat tem crescido nos últimos anos nessa área em linha com a expansão de mercado.
''Nada melhor para a Parmalat do que ampliar um mercado em que já detemos a liderança'', avalia Fay. ''Mas, enquanto esse consumo per capita não aumenta, vamos nos movendo para conseguir não apenas manter nosso market share, mas também para ampliá-lo''.
A expectativa da Parmalat é de que essa área de leites funcionais, que hoje representa 3% de suas vendas de UHT, passem a responder por 6% dentro de dois anos. Para desenvolver as novidades e divulgá-las no mercado, a empresa de origem italiana destinou uma verba de R$ 10 milhões. O mercado brasileiro de leites funcionais existe desde 1998, quando a própria Parmalat lançou a versão com ômega 3. Nesse segmento, a empresa não tem concorrentes.
Estão previstas ações diferenciadas no ponto-de-venda, com a degustação dos produtos, além de investimentos para conquistar maior apoio da classe médica e de nutricionistas. Previstas para iniciarem pelas regiões Sul e Sudeste, essas ações devem se estender às principais cidades do País.
Dos 23 bilhões de litros de leite consumidos no mercado brasileiro, a maior parte destina-se à produção de queijos (33%). Logo em seguida vem o UHT, que consome 19% desse total. De acordo com a Parmalat, os consumidores desse tipo de leite pertencem às classes A, B e C e são, em sua maioria, donas de casa com mais de 40 anos. O produto destina-se principalmente a lares com cinco a seis pessoas e também àqueles em que há crianças pequenas.

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