Parmalat pede concordata para ganhar tempo
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
Fabiana Futema<br> Agência Folha 
São Paulo - Numa tentava de ganhar fôlego para pagar em dia seus credores, a Parmalat Brasil protocolou ontem um pedido de concordata preventiva na 29 Vara Cível da Justiça de São Paulo. A empresa informou que o objetivo da concordata é ''assegurar a sobrevivência e a continuidade da implementação do programa de reestruturação'' da Parmalat no País. ''A decisão, embora difícil, tornou-se inevitável'', disse o presidente da Parmalat, Ricardo Gonçalves, contratado em 2001 para reestruturar as operações da empresa no Brasil.
Caso o pedido seja concedido, a Parmalat poderá ganhar tempo para pagar suas dívidas. Pelo menos cinco credores Orlândia, Itauplast, Moinho Pacífico, Tesla e Banco Fibra pediram a falência da companhia na Justiça. Também há mais de 90 títulos protestados contra a empresa.
Em comunicado oficial, Gonçalves admitiu que também foi pego de surpresa pela dimensão da crise internacional da Parmalat. ''Os reflexos da crise internacional, na qual o grupo controlador italiano está envolvido, acabaram contaminando gravemente as operações da Parmalat Brasil'', diz o comunicado.
Segundo a companhia, a situação financeira no Brasil foi agravada pelo corte das linhas de crédito pelas instituições financeiras, ''algumas das quais inflexíveis''. Este seria o caso do Banco do Brasil, que bloqueou os depósitos da conta da Parmalat, além de obter liminar Justiça determinando o arresto de bens e de estoque da companhia.
A Parmalat tem cerca de 6 mil funcionários no País, distribuídos em oito plantas industriais de diversas regiões brasileiras. No Brasil, a Justiça designou um grupo de ''interventores'' para acompanhar a situação da empresa no país.


