ArquivoEm escalaMeta do setor é sustentar produção em escala cada vez maior da porteira para dentro A vinda da multinacional Parmalat para o Paraná está provocando uma revolução no mercado de leite e derivados dentro do Estado. As cooperativas que predominam na atividade leiteira estão se agrupando em centrais de distribuição para aumentar a escala de produção e reduzir custos. A Centralpar (Cooperativa Central de Alimentos do Paraná), resultado da fusão das cooperativas Clac (Central de Laticínios de Curitiba) e Witmarsum (de Palmeira), está em negociação com a Sudcoop (Central de Laticínios do Oeste) e com a Confepar (Central de Laticínios de Londrina) para formar uma única Central de Captação e Distribuição de produtos lácteos no Paraná.
Com a incorporação dessas centrais, a Centralpar pretende comercializar, a partir de agosto, 450 mil litros de leite por dia, o que corresponde a uma elevação de 50% sobre a produção atual entregue pela Clac e Witmarsum - de 300 mil litros de leite por dia. O faturamento atual, de R$ 60 milhões por ano, deve alcançar entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões com a comercialização de leite e produtos lácteos em geral, prevê o presidente da Centralpar, Diethard Pauls.
Novo modelo Atualmente, a Centralpar comercializa as marcas Clac e Cancela (da Witmarsum) e Novo Dia (lançamento de leite pasteurizado da Clac para a região metropolitana). Com a entrada de outras cooperativas, novas marcas poderão ser acrescentadas à distribuição de produtos. Para Pauls, a Centralpar está indo de encontro a um novo modelo de comercialização de leite e derivados, em que a tendência é a concentração de cooperativas. Ele prevê que das atuais 40 cooperativas de leite que existem no Paraná, deverão ficar cerca de 8 ou 10 grandes cooperativas de leite.
Pauls admite que essa mudança no mercado está ocorrendo, com a vinda da Parmalat no Paraná.‘‘ É claro que a vinda de uma multinacional na área de leite obriga a uma reorganização do setor lácteos, porque a relação de forças muda’’, disse. ‘‘E as cooperativas que quiserem sobreviver precisam se tornar competitivas.
A previsão é distribuir 600 mil litros de leite por dia com a entrada de novos parceiros na constituição da Centralpar. Pauls destacou que a Centralpar tem capacidade para envasar e distribuir 800 mil litros de leite por dia e, para atingir toda a capacidade, que começa a ser instalada a partir de julho, está procurando novos parceiros. O objetivo é tornar a Central uma das maiores distribuidoras de alimentos do Estado, incluindo produtos lácteos e alimentos em geral.
Inicialmente, a Centralpar pretende trabalhar junto com os parceiros na área comercial, com ênfase na colocação de leite pasteurizado no mercado. Segundo Pauls, o leite pasteurizado é sinônimo de qualidade em nutrição porque possui lactobacilos vivos. Essa característica importante, sob o ponto de vista nutricional, já não existe no leite longa vida, cujo consumo aumentou muito depois do Plano Real,em função da praticidade da compra do produto pela dona de casa. ‘‘Mas é justamente esse conceito de qualidade em leite pasteurizado, que a Centralpar vai concentrar seus esforços de venda’’, disse. Articula-se junto a organismos internacionais a emissão de um selo de qualidade para seus produtos, informou Pauls.
Tendência O presidente da Clac, Fernando Augusto Almeida, recém-empossado no cargo, aposta no sucesso da parceria da Centralpar com outras centrais de laticínios para distribuição dos produtos em Curitiba. Segundo ele, a Clac e a Witmarsum possuem mais de dois mil pontos de venda na cidade e na região metropolitana, compondo uma importante rede de comercialização e distribuição de produtos. Almeida destacou que a idéia é utilizar os recursos adicionais obtidos com a comercialização de produtos para cobrir despesas da Centralpar e reverter esse benefício para o produtor de leite vinculado às cooperativas Clac e Witmarsum.
Para Almeida, as mudanças no mercado de leite refletem a necessidade de acompanhar a evolução que está ocorrendo no comércio varejista de Curitiba e região metropolitana. E a idéia de criar uma central vai ao encontro das necessidades de aumentar a escala de produção e reduzir custos. ‘‘O mercado nessa região está mudando muito rapidamente, com a instalação de dois importantes hipermercados e também com o crescimento do município de São José dos Pinhais, que hoje se destaca como a quinta cidade que mais cresce no país’’, justificou.

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