Parmalat entra na disputa pelo Frigorífico Chapecó
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
A Parmalat entrou no meio da história da venda da Chapecó para o grupo argentino Socma (Sociedade Macri), e a surpresa chegou a paralisar as negociações, que já haviam recebido o aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco ainda negocia com credores a oferta da Macri - que foi aceita por seus dirigentes - mas enfrenta resistência de alguns bancos, e foi aí que apareceu a Parmalat.
Os bancos buscaram uma outra oferta de compra, abrindo as portas da Chapecó para outra auditoria, desta vez por parte da multinacional italiana. Nos bastidores dessa negociação complicada, há a confirmação de que pelo menos metade de uma dívida de US$ 310 milhões terá de ser diluída para que a venda se concretize. A Socma colocaria na Chapecó, para a sua compra, pelo menos US$ 150 milhões.
Os avicultores que fornecem para a Chapecó estão desesperados com os últimos lances do negócio, pois esperavam um final mais rápido, com a família Denes passando o controle da empresa para a Socma. Com o prolongamento das negociações, envolvendo agora a Parmalat, ficou mais difícil a perspectiva de um acerto de contas atrasadas com a empresa.
Segundo a Associação dos Avicultores de Cascavel, a demora piora cada vez mais a situação econômico-financeira da Chapecó, hoje já deteriorada, e que só não fechou porque o BNDES vem injetando recursos desde o ano passado, cerca de US$ 7 milhões. O caso da Chapecó é visto como social, já que dela depende uma cidade, uma região de Santa Catarina, e fornecedores do Paraná.
No início da semana passada, 100 avicultores do Oeste e Sudoeste paranaense embarcaram em ônibus especiais, em Cascavel, com destino ao Rio de Janeiro, onde foram pressionar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por uma solução para a Chapecó.
O presidente do Conselho da Chapecó é o presidente do BNDES, Luís Carlos Mendonça de Barros, que já demonstrou que deseja uma solução rápida para o caso. Entre as várias dívidas que precisam ser renegociadas está a de US$ 20 milhões junto ao International Finance Corporation (IFC), o braço financeiro do Banco Mundial.
O faturamento da Chapecó no ano passado chegou a US$ 200 milhões, devendo cair em janeiro para US$ 170 milhões, anualizada sua receita. Segundo analistas, a Chapecó é uma companhia para faturamento de US$ 400 milhões anuais, pelo menos.


