Parmalat confirma compra da Batavo
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terça-feira, 07 de abril de 1998
Vânia Casado 
Kraw PenasO anúncioDiretores da Parmalat e Batavo explicam transação sem falar em valores Agora é oficial: a multinacional italiana Parmalat é a nova dona da marca Batavo e do patrimônio da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLPL), a maior do Paraná, com sede em Carambeí, na região dos Campos Gerais. O anúncio da transação foi feito ontem, em Carambeí, pelo presidente da CCLPL, Dick Carlos de Geus, e pelos diretores da Parmalat Carlos Monteiro, Vânia Alcântara Machado e Felício Cintra do Prado Júnior.
Os valores da transação não foram divulgados, mas, segundo um dos diretores da cooperativa, Aldo Luiz Marquardt, o preço pago pela marca Batavo supera em três vezes o valor do patrimônio líquido da CCLPL. Com base no capital líquido da nova empresa, de R$ 46 milhões, o mercado estima que a transação deva ter chegado a R$ 136 milhões.
Negócio fechado, a Parmalat passa a operar por meio da empresa Batávia, criada especialmente para permitir a negociação de compra entre uma empresa sociedade anônima e uma cooperativa. A Batávia vai gerir os negócios da Parmalat no Paraná e dará continuidade à produção da CCLPL, que encerra suas atividades após 44 anos de existência.
A CCLPL foi criada pela colônia holandesa que se instalou em Carambeí, com a preocupação de industrializar e agregar valor à produção entregue pelas cooperativas singulares Arapoti, Batavo e Castrolanda, também criadas por holandeses. As cooperativas singulares de produção, que eram cotistas da CCLPL, passam a ser acionistas minoritárias da Batávia. A empresa absorve também a Agromilk, uma cooperativa de laticínios no norte de Santa Catarina, adquirida pela CCLPL em 1997.
A transação foi comunicada após oitos meses de negociações, acompanhadas pela Folha, entre a Parmalat e a diretoria da CCLPL. Dick de Geus salientou que a procura por um parceiro forte era a única saída para a Batavo continuar no mercado. O Brasil mudou desde 1990 e desde então tínhamos a consciência que era mudar ou morrer, afirmou. A Batávia chega ao mercado com planos de investir R$ 80 milhões em modernização e marketing nos próximos três anos. A empresa assumiu os ativos e passivos da CCLPL, que somavam R$ 85 milhões quando a Batavo adquiriu a Agromilk. Atualmente esse passivo foi reduzido para R$ 69 milhões.
O ex-presidente da CCLPL, Dick Carlos de Geus, é o novo presidente da Batávia e o ex-diretor da cooperativa Aldo Luiz Marquardt, o diretor superintendente. De Geus, Marquardt, Geraldo Verschoor e Jan Haasjes são os representantes da CCLPL no Conselho de Administração da Batávia, que também tem como membros o diretor financeiro da Parmalat, Carlos Monteiro, o diretor administrativo da Parmalat, Felício Cintra do Prado Júnior, o presidente da Parmalat no Brasil, Gianni Grisendi, e a diretora de Marketing da Parmalat, Vânia Alcântara Machado. O Conselho de Administração terá autonomia na gestão da Batávia.
Líder em alimentos Com a aquisição do patrimônio da CCLPL, a Parmalat reforça sua liderança no segmento de leite longa vida e de bebidas lácteas e passa a operar também nos segmentos da suinocultura e avicultura. O objetivo é ampliar o leque de atividades da multinacional e chegar ao ano 2.000 com a liderança no setor de alimentos. A entrada no setor de carnes ocorre a partir do Paraná e a intenção é se expandir para todo o País, informou o diretor superintendente Aldo Luiz Marquardt.
Neste primeiro ano de atividades, a Parmalat vai investir na Batávia R$ 50 milhões - R$ 20 milhões serão destinados à modernização e automação do setor de laticínios, R$ 15 milhões ao marketing, R$ 10 milhões em suinocultura e R$ 5 milhões em administração. Os investimentos em laticiníos serão direcionados para aumentar a produção de leite pasteurizado. A Parmalat quer associar o conceito de qualidade da marca Batavo e concentrar as vendas no leite pasteurizado, já que mantém a liderança com 25% na comercialização de leite longa vida.
A expectativa de faturamento da Batávia para 1998 é de R$ 530 milhões, que corresponde a um acréscimo de 12% sobre o faturamento da CClPL, em 1997, que foi de R$ 473 milhões. Para os próximos três anos, a expectativa é aumentar 20% o faturamento da empresa.
No segmento da suinocultura, a Parmalat quer ampliar a capacidade de abate da Batávia, que atualmente é de 1,4 mil abates por dia, para 2,5 mil abates por dia. A capacidade de industrialização da carne in natura também deve avançar de 73%, atualmente, para 85%. O objetivo é introduzir na linha de produção derivados e embutidos mais nobres, para explorar a demanda de mercado sempre ávida de novidades, informou Vânia Alcântara Machado.
A atuação da Parmalat em avicultura ainda está em estudos porque o setor vêm de alguns prejuízos no passado, admitiu Marquardt. A diretoria antecipou que o setor de aves poderá ser explorado através de um mix de cortes especiais, com agregação de valor e tecnologia para permitir explorar nichos de mercado. Vânia Machado antecipou que os cortes temperados e pré-prontos poderão ser explorados pela empresa.


