Parmalat Brasil interrompe produção
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2004
Das Agências 
São Paulo - A crise financeira da Parmalat Brasil interrompeu total ou parcialmente a produção de várias unidades da empresa espalhadas pelo País. Além dos estoques elevados, a empresa admite que, em muitos casos, precisou interromper a produção por falta de matérias-primas.
Das oito plantas industriais instaladas no País, pelo menos cinco estão com problemas de produção. São as fábricas de Jundiaí (SP), Carazinho (RS), Itaperuna (RJ), Garanhuns (PE) e Santa Helena (GO). Em Carazinho, onde a Parmalat produz o leite ''premium'', a paralisação atinge 100% da produção.
A paralisação também atinge quase que totalmente a unidade de Jundiaí -responsável pela fabricação de sucos e biscoitos. Em Jundiaí, a produção foi interrompida por falta de açúcar e farinha.
Em Itaperuna e Santa Helena, a falta de leite interrompeu a produção de leite UHT (caixinha), creme de leite, condensado, em pó e cremes lácteos. A menos atingida até agora é a de Garanhuns.
Enquanto uma comitiva brasileira está na Itália negociando com os interventores da matriz a liberação de um socorro financeiro para a subsidiária local, a Parmalat Brasil tenta entrar em concordata, que dá até dois anos de prazo para a empresa pagar as dívidas.
No Brasil, as cooperativas de leite começam a se organizar para obter o empréstimo do governo federal que será liberado para a estocagem do produto. O primeiro contrato foi assinado ontem entre a cooperativa de Barra Mansa (RJ) e o Banco do Brasil.
A Parmalat italiana quer acelerar o processo de concordata da subsidiária brasileira. A informação é da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Assalariados Rurais (Contac), que faz parte da comitiva brasileira que está na Itália buscando uma solução conjunta para a crise financeira da Parmalat Brasil, que emprega seis mil funcionários.
Segundo o presidente da Contac, Siderlei da Silva Oliveira, o interventor da Parmalat italiana, Enrico Bondi, sinalizou a possibilidade do grupo capitalizar a subsidiária brasileira.
No entanto, qualquer socorro financeiro só será dado depois do pedido de concordata da Parmalat Brasil estar finalmente aprovado. No começo da semana, a 4 Vara da Justiça Cível deu 30 dias de prazo para a empresa apresentar os documentos necessários para a decretação da concordata. A empresa queria 90 dias.
''Está nas mãos da empresa acelerar esta concordata. A Justiça deu 30 dias para anexar os documentos ao processo. A empresa precisa fazer de tudo para cumprir o prazo'', disse Oliveira da Itália por telefone.
Em Brasília, os deputados da comissão especial da Parmalat na Câmara voltaram ontem a pedir a intervenção do governo na empresa. ''Essa comissão tem pressionado duramente o governo no sentido de tomar uma medida de intervenção na Parmalat, porque nessa hora nós daríamos conta de estancar essa sangria'', afirmou o presidente em exercício da comissão, Ronaldo Caiado (PFL-GO).


