São Paulo - O presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves, disse ontem que a empresa precisa de medidas emergenciais para garantir a continuidade de suas operações no Brasil. As oito plantas industriais do país estão operando com apenas 40% da capacidade instalada por falta de matérias-primas.
  Segundo Gonçalves, que participou de audiência na comissão especial da Câmara dos Deputados, a sobrevivência da Parmalat Brasil é uma ‘‘questão de dias’’. Sem crédito bancário e sem matérias-primas, a empresa pode parar de funcionar dentro de dias no Brasil.
  Pelos cálculos de Gonçalves, a Parmalat precisa de cerca de R$ 75 milhões para se manter em atividade. Este seria o montante necessário para formação de capital de giro e realização de operações.
  As vendas da Parmalat Brasil despencaram no mês de janeiro. No mês passado, as vendas da empresa no País atingiram R$ 30 milhões, segundo Gonçalves. Este montante representa uma queda de 70% em relação ao faturamento médio mensal da empresa, que é de R$ 100 milhões.
  O resultado da Parmalat Brasil é diferente do registrado na Itália. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agropecuária e Industria da Itália as vendas da empresa aumentaram desde que a Parmalat entrou em concordata.
  ‘‘Na Itália, todos querem comprar um produto da Parmalat. Além de tentar ajudar a empresa, a compra significa a aquisição de uma recordação, caso a situação venha a piorar’’, disse o secretário-presidente da federação, Giordano Giovaninni.
  Documento de circulação interna da diretoria da Parmalat, obtido pela Agência Estado, informa que a empresa está operando no País com 50% da capacidade. Entre as oito fábricas brasileiras, a direção da multinacional do setor de alimentos está mais preocupada com as fábricas de Garanhuns (PE) e Carazinho (RS), que por falta de fornecimento de matéria-prima podem reduzir a produção ainda mais.
  O balanço de produção até ontem indicava que a unidade de Garanhuns, onde são fabricados leite UHT, iogurte e creme de leite, sofre queda de 30% no volume de entrada de leite. Em Carazinho, a fábrica atua com 80% da capacidade normal para produção de leites UHT e Natura Premium, leite condensado e creme de leite.
  Duas unidades, Carambeí (PR) e Ouro Preto d’Oeste (RO), estão com a produção normal. A unidade paranaense fabrica iogurtes, leite UHT, petit suisse, aromatizados, sobremesas, leite fermentado e queijos, enquanto a rondoniense produz leite UHT, manteiga e aromatizados.

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