O Mercosul ganhou ontem o apoio do Parlamento Europeu no seu propósito de acelerar as negociações agrícolas com a União Européia. Um projeto aprovado pelo órgão legislativo do bloco europeu sugere que a União Européia (UE) desvincule da nova rodada para a liberalização comercial, na Organização Mundial do Comércio (OMC), as negociações com o Mercosul sobre comércio de produtos agrícolas. Para negociar com o Mercosul, a Comissão Européia, órgão executivo da UE, possui um mandato que impede a União Européia de terminar as negociações sobre produtos agrícolas antes do fim da nova rodada na OMC, a ser realizada em data ainda não definida.
A aprovação da proposta, defendida por eurodeputados ‘‘verdes’’ e de esquerda, não significa, porém, que o mandato da Comissão Européia poderá ser alterado. Antes, o projeto terá de ser analisado pelo Conselho de Ministros da UE, o que deverá ser feito dentro de um mês.
‘‘As negociações com o Mercosul podem ser mais racionais porque será uma discussão produto por produto, considerando-se os interesses de ambos os lados, enquanto na OMC a política européia agrícola será desmantelada, o que só vai beneficiar as multinacionais de alimentos’’, compara o eurodeputado espanhol Pedro Marset Campos, autor da proposta. Autoridades européias admitem que será difícil aprovar no Conselho de Ministros europeu o projeto aprovado pelo órgão legislativo do bloco europeu, sugerindo que a UE desvincule da nova rodada da OMC as negociações com o Mercosul sobre comércio de produtos agrícolas.
O comissário de Relações Externas, Christopher Patten, disse ontem, no Parlamento Europeu, que será mais conveniente desvincular no ano que vem as negociações com o Mercosul da rodada na OMC, porque neste ano de 2001 a União Européia e o Mercosul já estão em negociações. Anthony Gooch, porta-voz do comissário de Comércio da UE, Pascal Lamy, disse que Lamy só defenderá a proposta ante o Conselho de Ministros se ficar claro que a mudança vai beneficiar a UE.
Os europeus querem adiar a discussão do fim dos subsídios agrícolas e da queda das tarifas cobradas sobre as exportações agrícolas do Mercosul para depois do término da nova rodada da OMC. Com isso, pretendem evitar fazer concessões duas vezes – uma ao Mercosul e outra durante as discussões na OMC.

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