Parlamentares vão entregar a ministro propostas para o setor
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
<br> Agência Estado <br> 
Brasília - Os parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados vão entregar, nesta semana, ao ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, as propostas apresentadas ontem pelos produtores para a triticultura nacional. A indústria moageira foi o principal alvo das críticas de parlamentares e produtores durante audiência realizada pela Comissão de Agricultura para debater políticas para a próxima safra do trigoa 2012/2013.
O deputado Moacir Micheletto, autor da proposta de audiência, disse que os moinhos retardam as compras e questionam a qualidade do trigo nacional, mas continuam adquirindo o cereal paraguaio, que é resultado da semente desenvolvida e cultivada no Brasil. Ele disse que, na semana passada, vendeu trigo a R$ 24 a saca, bem abaixo do preço mínimo de garantia, que é de R$ 28 a saca.
O assessor institucional da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Reino Pécola Rae, contestou que, neste período de final de colheita, os moinhos tenham suspendido suas compras para pressionar os preços. Ele afirmou que a comercialização está normal e que as compras são diluídas ao longo dos doze meses do ano. Reino Pécola explicou que existe um excesso na produção nacional de trigo soft, adequado para biscoitos, e oferta insuficiente do cereal com maior força de glúten, que é utilizado na panificação.
Segundo ele, as lavouras de trigo com maior teor de proteína têm menor produtividade. O cultivo do cereal com menos força de glúten apresenta maior rendimento, ''o que parece ser uma ótima oportunidade, mas gera problema na hora da comercialização''.
O representante da Abitrigo afirmou que a intervenção governamental, nos anos 70, por meio da pesquisa agropecuária e garantia de preços, viabilizou a produção nacional de trigo. Ele argumenta que a intervenção hoje é desnecessária, pois o setor deve ''caminhar com os próprios pés''. Ele defende investimentos em infraestrutura e revisão na legislação de cabotagem, que privilegia as empresas nacionais de navegação e oneram o frete, além de tarifa única de ICMS nas operações interestaduais de trigo e derivados.
O deputado Reinhold Stephanes (PMDB/PR) disse que em sua gestão no Ministério da Agricultura questões ligadas à triticultura faziam parte da agenda de prioridades. Ele afirmou que conversou dezenas de vezes com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a necessidade de cotas de importação de trigo e aumento da TEC para compra de países fora do Mercosul.


