O reajuste que vem sendo discutido no Congresso para os parlamentares, se aprovado, vai se transformar numa bola de neve e encarecer ainda mais o Custo Brasil. A avaliação é do presidente do Sescap-Ldr José Joaquim Ribeiro lembrando que qualquer aumento concedido a um deputado federal ou senador é imediatamente incorporado pelos legislativos estaduais e municipais.
Os deputados federais estão avaliando a possibilidade de elevarem seus ganhos no limite dos vencimentos dos ministros do supremo Tribunal Federal. O salário dos parlamentares saltaria de R$ 12.847 para R$ 24 mil por mês. O reajuste seria de mais de 90%. Como referência é importante citar que recentemente os aposentados receberam um reajuste de 5, 01%.
Um deputado estadual, pela lei, tem o direito de receber 75% do valor pago a um deputado federal. E o vereador, dependendo do tamanho da cidade, recebe entre 20% e 75% do salário de um deputado estadual.
Os chamados poderes autônomos, que incluem o Ministério Público, já custam mais de R$ 47 bilhões anuais aos cofres estaduais e federal, segundo os balanços orçamentários de 2005.
Esta sangria no cofre do governo significa, conforme Ribeiro, menor poder de investimentos em áreas chave como educação, infra-estrutura, saneamento e saúde. ''O problema que vemos é que além da remuneração absurda pretendida, como não há dinheiro disponível, essa verba precisa sair de algum lugar. Como o governo, ao contrário das empresas, não produz riquezas, mas apenas arrecada impostos, já dá para identificar quem é que vai pagar a conta. O pior é que esse dinheiro poderia, aliás, deveria estar sendo usado para aquecer a economia do país e não apenas para beneficiar uma casta de pessoas'', disse Ribeiro.
Ribeiro lembra que dias atrás o jornal El Pais, da Espanha, destacou os privilégios dados aos deputados brasileiros. Ao mencionar os novos parlamentares eleitos no pleito de outubro e que tomarão posse em 2007, o correspondente do jornal no Brasil, Juan Arias, classifica os deputados como ''afortunados, do ponto de vista dos privilégios que acumulam'', e informa que eles estão entre os mais bem remunerados do mundo. O jornal calcula que entre salários, diárias e reembolsos cada deputado pode chegar a receber R$ 92,9 mil mensais, enquanto o salário mínimo dos brasileiros não passa de R$ 350.
''Com o Produto Interno Bruto crescendo menos de 3% ao ano, falar em reajustes de até 90% é um absurdo. E o pior é que vemos que não existe solução no curto prazo. Os políticos agem corporativamente e, quase sempre, em benefício próprio. É uma troca de favores sem fim. O fato é que a economia não aguenta um reajuste desse tamanho. Os políticos precisam entender que para sanear a economia e colocar o país na rota do desenvolvimento é preciso arrumar a casa e ninguém arruma a casa colocando as pernas das cadeiras para cima. É preciso reduzir gastos e investir em setores que promovam o desenvolvimento da economia, não beneficiar apenas uma pequena casta de privilegiados.

Fonte: Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina - Sescap-Ldr

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