O ministro licenciado da Casa Civil, Pedro Parente terá ‘‘plenos poderes’’ para definir as medidas e a necessidade de recursos para a retomada dos investimentos no setor de energia elétrica. Parente terá no ajuste fiscal, o limite de sua ação. Apesar de o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) vigorar somente até dezembro desse ano, o governo não abre mão do compromisso de gerar um novo superávit fiscal de 3% do PIB e garantir o recuo da inflação a 3,5 por cento em 2002.
O presidente Fernando Henrique Cardoso está considerando o combate a crise de energia uma ‘‘operação de guerra’’ e por isso decidiu fazer uma intervenção no setor ao delegar a Parente o comando da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), que será criada para executar as medidas de curto e médio prazos que serão anunciadas no dia 23, quando se reúne o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Não existe predisposição no governo de colocar em risco o ajuste adotado nos últimos anos que permitiu a estabilização da economia, conteve a inflação, mas que, ao mesmo tempo, também restringiu as oportunidades de investimentos estatais.
A ordem de Fernando Henrique repassada a Pedro Parente na presença dos ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Planejamento, Martus Tavares, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, e do ministro de Minas e Energia, José Jorge, foi clara: já que parece impossível evitar o racionamento de energia esse ano, todas as medidas necessárias devem ser adotadas para afastar qualquer risco de um novo racionamento no próximo ano, quando as atenções do governo devem estar direcionadas para a sucessão presidencial.
Nesse contexto, o presidente está disposto a desencadear mesmo uma ‘‘operação de guerra’’ e apoiar a edição de uma espécie de cartilha mandatória, que deve ser seguida por todos os ministros, inclusive os da área econômica.

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