O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, admitiu ontem que o governo não afasta a possibilidade de um novo reajuste de combustíveis. No entanto, ele ressaltou que ainda não há decisão tomada, pois é preciso aguardar o impacto que a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de aumentar a produção do petróleo terá nos preços do produto no mercado internacional. ‘‘Vamos ver se isso ajuda a evitar a necessidade de um novo aumento’’, disse Parente.
O terceiro reajuste do preço da gasolina este ano seria necessário para que o governo tentasse reverter o saldo negativo de cerca de R$ 600 milhões da Parcela de Preço Específica (PPE), fundo formado pela diferença de preço do produto no mercado internacional e interno. Por causa da preocupação em manter a inflação baixa, o período considerado ideal para esse aumento é a segunda quinzena de novembro, quando o reflexo nos índices inflacionários não comprometeria a meta de 4% traçada para 2001. ‘‘Nós sempre dissemos que não haveria reajuste após a eleição, mas temos de acompanhar as oscilações de preços no mercado e é isso que está sendo feito’’, disse Parente.
Cobrança O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, cobrou uma resolução mais rápida para quitar a dívida que o Tesouro tem com a Petrobras. O prazo para saldar esse débito, que está em R$ 3 bilhões, acaba em dezembro de 2001. Essa dívida vinha sendo paga até o início deste ano, quando a PPE criava saldos positivos. Em julho de 2000, a previsão do governo era de que a PPE tivesse uma receita de R$ 800 milhões no ano, projeção que foi frustrada.
Cálculos de técnicos do governo mostram que, para alcançar este objetivo, o preço dos combustíveis teria de ser reajustado em mais de 50%. Portanto, o pagamento da dívida deverá ser adiado para 2001, quando existe a possibilidade de a PPE voltar a criar receitas.
Zylbersztajn afirmou que existe a necessidade de o governo transformar, o quanto antes, a PPE em um imposto para dar mais transparência no preço dos combustíveis. Essa diferença subsidia o gás de cozinha e o diesel.