O governo não anunciará nenhum ‘‘pacote brutal’’ na segunda-feira, garantiu ontem o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. No entanto, ele admitiu que novas medidas serão tomadas, se necessário. ‘‘E a possibilidade é grande’’, completou. Parente explicou que o momento de incerteza das condições macroeconômicas impede a definição da extensão de um novo ajuste fiscal.
Em meio ao desmentido de confisco e calote da dívida e do anúncio de que novas regras de intervenção no mercado de câmbio poderão ser adotadas, a equipe econômica divulgou ontem um dado positivo: o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) superou a meta mínima do superávit primário fixada para 1998. As receitas superaram as despesas (exceto juros da dívida interna e externa) em R$ 5,8 bilhões, portanto R$ 800 milhões acima da previsão.
Na avaliação do secretário-executivo da Fazenda, o Congresso apoiará as novas medidas, caso elas sejam realmente necessárias, da mesma forma que aprovou a contribuição dos servidores públicos federais inativos e o aumento das alíquotas.
Os integrantes da equipe econômica enfatizaram ontem que a definição de novas medidas fiscais - de aumento de receitas ou corte de gastos - dependerá da revisão dos parâmetros macroeconômicos resultantes da desvalorização, como a previsão de inflação e o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB). ‘‘Neste momento de incertezas não podemos falar em medidas fiscais, mas se necessárias elas serão tomadas’’.

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