São Paulo - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é um órgão polarizado. De um lado, uma maioria julga que os experimentos feitos pelas empresas e avaliados por pareceres de cientistas independentes e da própria comissão, ao lado da experiência internacional, são garantia suficiente para autorizar os cultivos sob monitoramento. De outro, uma minoria aguerrida afirma que não se pode ter certeza da segurança para a saúde e o meio ambiente.
''Não há nenhum problema intrínseco com os transgênicos'', explica o biólogo João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. ''Há uma preocupação muito grande com a introdução de cultivares de organismos geneticamente modificados, se eles vão ou não transferir genes e características específicas a parentes silvestres e ancestrais.'' O temor é o de que o pólen de uma planta transgênica fertilize uma planta convencional, transmitindo-lhe suas características, e que isso se repita tantas vezes que afete a biodiversidade do País. A mistura poderia acontecer também nos silos onde se armazenam os grãos, transformando toda a produção em transgênica, adverte Capobianco.
Se for sancionada, a medida provisória que reduz de dois terços para metade mais um os votos necessários para autorizar a comercialização de transgênicos será bem-vinda, mas não destravará a CTNBio. É o que diz o presidente da comissão, Walter Colli. Segundo ele, há dois outros obstáculos: as ações judiciais promovidas pelos anti-transgênicos e a demora dos pareceres da subcomissão setorial ambiental, na qual esses opositores se concentram.

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