Reportagem pu blicada pela Fo lha no domingo reacendeu ontem as críticas à pri vatização da Co pel na Assem bléia Legislativa. A bancada de oposição subiu à tribuna para repercutir os fatos relatados pelo jornal, questionando a legalidade da formação de parcerias feitas pela estatal nos últimos três anos. ''Qual foi a autorização legislativa para criar a Tradener, com capital social de R$ 10 mil?'', questionou o deputado Cézar Silvestri (PPS), que pediu a regularização das parcerias.
Na avaliação de Silvestri, o Palácio Iguaçu teria que encaminhar mensagens pedindo autorização para firmar os contratos. Os adversários do Palácio Iguaçu na Assembléia criticaram ainda o fato de as empresas parceiras estarem nas mãos de ex-funcionários da Copel ou pessoas ligados ao grupo que detém o poder no Estado. A oposição acredita ainda que as altas multas impostas para a rescisão dos contratos atrapalharam o processo de venda. O leilão fracassou duas vezes.
O deputado Luiz Carlos Zuk (PDT) criticou ainda os R$ 150 milhões em créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) não computados na avaliação da companhia. Para ele, isso configura uma irregularidade.
O vice-líder do governo na Casa, Ademar Traiano (PSDB), rechaçou as declarações da oposição. Segundo ele, o plenário da Assembléia aprovou, em 1997, autorização criando condições para que a Copel possa ter participação em empresas privadas. ''Fui eu quem relatou essa matéria. As parcerias estão dentro da lei'', disse. Traiano não soube, no entanto, explicar qual lei foi essa. O governo sustenta a mesma versão. Divulgou, através de nota oficial, que as parcerias obedecem a leis nacionais e estaduais e estão respaldadas em autorizações legislativas. A autorização para vender a Copel veio um ano depois, em dezembro de 1998.
Sobre o fato de empresários com relacionamento direto com o grupo no poder serem parceiros da estatal de energia, Traiano disse que não há ligação direta entre essas pessoas e o governo. ''A Vera Gulin (mulher do empresário Donato Gulin, sócio da Tradener) não tem cargo no governo. Donato Gulin também explora um serviço de transporte coletivo em Curitiba (o empresário dirige a viação Cidade Sorriso). Vera Gulin aparece como sócia-gerente da Construtora Mogno Ltda. Esta empresa, junto com a Copel, constitui a Escoeletric (que atua na montagem de máquinas e usinas).
O deputado José Maria Ferreira (PDT) lembrou que o Fórum Popular Contra a Venda da Copel impetrou diversas ações na Justiça na tentativa de suspender pelo menos parte desses contratos. Questionado sobre as parcerias, o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), preferiu ser cauteloso. Disse apenas que o Tesouro do Estado não pode ser prejudicado. ''O preço da empresa não pode ser rebaixado.''

A discussão esquentou os ânimos no plenário. Quando José Maria Ferreira (PDT) criticava as parcerias feitas pela Copel, o governista Carlos Simões (PTB) disse que o pedetista deveria tomar ''maracujina''. Ferreira pediu que a declaração de Simões não fosse registrada. Élio Rusch (PFL), que presidia a sessão, teve que pedir calma aos deputados, que trocavam ofensas.

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