Parceria vai reativar produção de seda
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Arquivo FolhaNovas vagasPrevisão da empresa é de criar 220 empregos dentro de três anos O projeto de sericicultura, que envolve produção e secagem de casulo verde para fabricação do fio de seda, que estava previsto para o município de Umuarama será reativado. Uma parceria firmada entre a prefeitura de Umuarama, a Kanebo Silk do Brasil e o governo do Estado vai recuperar os antigos investimentos feitos pela Cooperseda no município, que estavam paralisados há três anos. O protocolo de intenções que prevê investimentos de R$ 5 milhões na fase de implantação da unidade de fiação no município, foi assinado ontem, no Palácio Iguaçu, com a presença do governador Jaime Lerner, do presidente da Kanebo, Toshio Hirose e do prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca. A previsão da empresa é empregar 220 pessoas nos próximos três anos.
A Kanebo vai assumir o projeto de implantação da unidade de fiação quando a produção de casulos verdes atingir 1,6 mil toneladas por ano, afirmou o diretor-administrativo da empresa, Shizuo Yoshida. A avaliação econômico-financeira do mercado internacional de seda também será fator determinante para que a Kanebo assuma o projeto, já que a empresa depende das exportações.
A Kanebo atua há 24 anos no Brasil, com uma unidade de fiação em Cornélio Procópio e exporta toda sua produção para o Japão. No momento, o mercado internacional não permite investimentos porque os preços do fio estão muito baixos, salientou Yoshida. Mas a empresa acredita que a situação será revertida no futuro, e até lá já terá uma estrutura completa para exportar fio de seda, complementa.
Segundo Yoshida, a fio brasileiro é vendido por US$ 38,00 o quilo para o Japão, mas sofre a concorrência da produção chinesa que abastece 90% do mercado externo e consegue colocar o produto no mercado 20% a 30% mais barato. Apesar de a qualidade do produto brasileiro ser muito maior, Yoshida lamenta que atualmente, até os japoneses estão indo atrás do produto chinês pelo fato de ser mais barato.
Enquanto o mercado internacional não se torna atraente, a Kanebo Silk investe em infra-estrutura no Paraná. Numa primeira etapa serão criados 20 empregos com a reativação das instalações de secagem de casulos verdes para processar 1.300 toneladas na safra 97/98. A prefeitura vai incentivar o plantio de 4.000 hectares de amoreira (que alimenta o bicho-da-seda), criando trabalho para cerca de 1.000 famílias no campo, que passarão a ter uma renda mensal, além da manutenção de outras atividades na propriedade. O projeto deverá beneficiar os 32 municípios da região. Com isso, a produção de casulo verde na região poderá ser dobrada, passando das atuais 800 toneladas para 1,6 mil toneladas anuais, como estabeleceu a Kanebo.
Para muitos municípios essa renda mensal vai movimentar o comércio local, salientou Scanavaca. Ele citou como exemplo o município de Terra Roxa, próximo à Umuarama, que poderá receber um incremento de R$ 60 mil por mês com a sericicultura. Esses recursos representam 50% da renda arrecadada pela prefeitura, disse o prefeito de Umuarama.
A diretoria da Kanebo não quis revelar quanto está sendo investido nessa etapa inicial. O fato é que a prefeitura de Umuarama recuperou a área de 25,21 hectares cedida para as instalações do projeto antigo da Cooperseda e transferiu para a Kanebo. Além disso, investiu R$ 142 mil na compra do patrimônio já instalado pela Cooperseda que inclui uma caldeira e um barracão com 1.400 metros quadrados de área construída. Só a secadora que está sendo reativada está avaliada em US$ 1 milhão, disse o prefeito. Todo esse patrimônio está sendo repassado em regime de comodato por 25 anos para a Kanebo Silk do Brasil, disse Scanavaca.


