Parceria empresa-universidade é ideal para inovação
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Que ''inovação'' é a palavra do momento no mundo empresarial, ninguém pode negar. Mas, se a maior dúvida é justamente por onde começar, as universidades podem ser as parceiras perfeitas para comprar a ideia e buscar a melhor forma de colocá-la em prática. Além disso, existem também os projetos prontos, apenas esperando a chance de serem levados ao mercado.
Até amanhã, durante a Top Innovation - Feira Internacional de Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Mostra de Pesquisa e Inovação Universidade Indústria traz exemplos de como essa ponte pode ser feita. Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Universidade Positivo expõem projetos desenvolvidos por seus pesquisadores e que podem ser aplicados à realidade das empresas.
A empresa japonesa de alimentos Anew buscava abrir mercado e, para isso, desenvolver seus produtos no Brasil. A marca buscava um alimento que já existia, mas queria inovar na composição ao não utilizar nenhum tipo de aditivos ou conservantes. Foi aí que o departamento de Engenharia de Alimentos da PUC-PR entrou. Duas professoras, uma doutoranda, uma mestranda e uma estagiária da graduação receberam a verba para iniciar as pesquisas.
Atualmente em fase final de testes, André Hideki Makiyama, diretor comercial da empresa, conta os dias para o lançamento no mercado e é só elogios para o trabalho da instituição. A professora Laura Beatriz Karam garante que a parceria também é benéfica para a universidade. ''É um projeto de pesquisa que envolve alunos e os deixa motivados justamente por colocá-los mais perto da realidade do mercado'', afirma. Várias outras empresas já buscaram a parceria da PUC-PR, que vê no seu Tecnoparque o mecanismo ideal para desenvolver a troca de conhecimento e incentivos entre academia e indústria.
No sentido contrário está Cesar Ofuchi, engenheiro elétrico formado pela UTFPR. Com a estrutura da universidade, ele colaborou para o desenvolvimento de um produto inédito. Trata-se de um aparelho de ultrassom que faz a análise de líquidos (como combustíveis, petróleo, entre outros) em tempo real, mesmo dentro de tubulações. Ele acredita que seu mecanismo seria perfeito para a demanda da Petrobras. Mas, apesar de ainda não estar 100% concluído, Ofuchi aguarda que um parceiro descubra sua invenção. Enquanto isso, dedica-se a pesquisa nas horas vagas, já que mantém um emprego para poder sobreviver.
Segundo o aluno, dificilmente uma empresa conseguiria desenvolver seu projeto por conta própria, em razão da grande estrutura exigida para sua confecção. O tipo de equipamento necessário só estaria disponível nas grandes instituições de ensino e pesquisa. E para a instituição, segundo Waldemiro Gramski, da PUC-PR, a grande vantagem é conseguir a verba para patrocinar suas pesquisas e seus pesquisadores. Além de divulgar o nome da universidade, o que ajuda a atrair mais alunos.
Ronald Dauscha, diretor geral do Centro Internacional de Inovação do Sistema Fiep, defende a parceria universidade-indústria. ''A empresa tem que pensar inovação como processo contínuo. E não só no produto ou serviço, mas também nas formas de vender, na distribuição. Empresas que não inovam vão perder mercado'', sentencia.


