Parcelamento da fatura: não entre nesta cilada
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domingo, 10 de novembro de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
A Calculadora do Cidadão, programa oferecido pelo Banco Central em seu site para calcular financiamentos, correção de valores e valor futuro de investimento, agora adquiriu uma nova funcionalidade: vai mostrar os custos do financiamento feito pelo cartão de crédito, o chamado crédito rotativo, ou parcelamento do cartão.
O consumidor pode colocar no programa o valor da fatura, taxa de juros medida pelo Custo Efetivo Total (CET, disponível na fatura) e valor que deseja pagar no vencimento. O software calcula, então, o custo para adiar o pagamento do valor restante e faz uma comparação com outras linhas de crédito.
A fatura do cartão de crédito está no topo da lista das contas que não podem deixar de ser pagas, alerta o economista e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Luiz Fernando da Silva. "As taxas são abusivas", diz, referindo-se aos juros do parcelamento do cartão, que pode chegar a 15% ao mês.
Como forma de comparação, o serviço on-line do BC mostra que o consumidor que deseja pagar R$ 500 de uma despesa total de R$ 1 mil do cartão, financiando o restante com CET de 10% ao mês (213,84% ao ano), vai pagar no total R$ 1.055, sendo que R$ 55 são de juros. Os juros nas linhas de crédito consignado, pessoal e cheque especial, para o mesmo valor, são de R$ 9,24, R$ 26,28 e R$ 41,41, respectivamente.
Silva alerta ainda que sobre o crédito rotativo incide o juro composto, ou seja, o juro sobre o juro, quando o consumidor parcela a fatura do cartão e no mês seguinte também não consegue quitá-la. "O consumidor acaba se iludindo pela facilidade do pagamento mínimo e acaba se complicando", declara.
Por isso, ele recomenda ao consumidor que não tem mesmo condições de pagar a fatura a negociar com a operadora do cartão. "Os bancos estão preparados para isso. O que não pode é deixar de pagar." Usar crédito consignado, pessoal ou cheque especial para saldar a fatura também não é uma boa ideia, diz o economista. Desta forma, o consumidor está contraindo outra forma de financiamento, e as chances de perder o controle aumentam.
Resiliência
Marcelo Thomaz de Aragão, chefe de Subunidade do Departamento de Tecnologia da Informação do BC, afirmou que, na Calculadora do Cidadão, o consumidor também pode mudar o valor a ser pago para ver a vantagem de fazer um esforço para pagar a maior parte da fatura e contrair uma dívida menor. "Existe uma preocupação com a resiliência desse tipo de crédito e de cuidar para que não suba junto com o aumento desse meio de pagamento", afirmou. O serviço está disponível no link http://www.bcb.gov.br/?CALCULADORA.
Saber usar
Mesmo com os constantes avisos sobre os altos juros do cartão de crédito, os brasileiros continuam tendo problemas com ele. Segundo Silva, mais de 70% das dívidas estão relacionadas ao cartão. Na sua visão, isso vem do fato que o cartão é um meio de pagamento fácil e acessível. Soma-se a isso o fato de que muitos estabelecimentos já aceitam esta modalidade de pagamento, e que o brasileiro é um comprador impulsivo. "É uma forma de pagamento excelente, desde que se saiba usar." (Com agências)





