Paranaguá vai separar soja transgênica
EXPORTAÇÕES Paranaguá vai separar soja transgênica Medida visa impedir a mistura do grão vindo do Paraguai, que planta soja transgênica, e evitar ações judiciais por parte de importadores Arquivo FolhaCAIS CONCORRIDO Atraso na colheita da soja já provoca fila dos navios que irão transportar soja para o exterior Vânia Casado De Curitiba O porto de Paranaguá vai separar a soja transgênica, caso esse produto venha do Paraguai. A determinação é que todo o procedimento de embarque seja isolado e essa carga não poderá ser misturada no pool de exportação, denominação da área comum onde todos os terminais privados colocam a soja no interior do Corredor de Exportação. A fiscalização ficará sob responsabilidade da Delegacia Regional do Ministério da Agricultura no Paraná e promete ser rigorosa. O sistema de fiscalização ainda não foi definido, mas deverá se concentrar sobre toda a carga de soja oriunda do Paraguai que for nacionalizada, antecipou Edson de Muzio Carvalho, chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. O sistema de fiscalização, que poderá envolver a Secretaria da Agricultura, vai definir se a soja paraguaia será analisada na fronteira, na estrada, no porto ou no armazém. O mesmo poderá ocorrer com a soja brasileira, anunciou. Ontem, os funcionários do departamento técnico do porto passaram a tarde em reuniões, definindo a programação de embarques e o sistema de separação, fiscalização e análise da soja transgênica. A preocupação é evitar os embarques de soja transgênica por um porto brasileiro, porque os importadores poderão acionar judicialmente o Brasil caso isso aconteça, disse Carvalho. Isso porque a legislação brasileira proíbi o plantio de soja transgênica no país. E o produto não pode ser embarcado em Paranaguá, a não ser que seja totalmente isolado como deverá ocorrer se houver soja transgênica do Paraguai. Ainda não existe nada de concreto, mas a administração do porto e os orgãos de fiscalização do País estão se preparando para não serem acionados pela legislação internacional depois, afirmou. Caso se constate a presença soja transgênica sem a identificação da origem, a fiscalização irá atrás do plantio até descobrir a real procedência, confirmou Carvalho. O que importa é o cumprimento da legislação, destacou. Para o gerente comercial da Cotriguaçu, Adalberto César Ignácio, a separação da soja transgênica deverá elevar os custos de exportação. Ele não soube precisar quanto, mas adiantou que o custo deverá ser rateado entre os exportadores e o setor produtivo. Isso porque o isolamento da soja transgênica vai mobilizar uma estrutura reservada, desde a armazenagem até o embarque no navio. Segundo Ignácio, o Porto de Paranaguá não está disposto a bancar o risco de uma possível mistura entre soja convencional e transgênico. Os testes de análise deverão se intensificar aqui no porto, acredita.





