Após oito anos sem exportar soja pelo Porto de Paranaguá, o Paraguai vai voltar a utilizar a estrutura paranaense a partir de agosto. A proibição do embarque de soja transgênica pelo ex-governador e atual senador pelo PMDB, Roberto Requião, fez com que o Estado deixasse de escoar milhões de toneladas da oleaginosa produzido pelo país vizinho. Agora, com o porto aberto novamente para receber o produto paraguaio, a expectativa é que se exporte pelo menos 1 milhão de toneladas por ano. Neste primeiro momento, a exportação será de 30 mil toneladas, sendo que há 100 mil toneladas em contratos fechados até o final de 2011.
De acordo com o Airton Vidal Maron, superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), a retomada das exportações de soja por Paranaguá demonstra que os portos paranaenses estão voltando a ter credibilidade frente ao mercado. ''Até pouco tempo o exportador ficava receoso em movimentar suas mercadorias pelo nosso terminal, em função de determinações polêmicas e que dissonavam das demandas do mercado. Nossa expectativa é que o Paraguai volte a utilizar o Porto como sua primeira opção de exportação de soja num curto espaço de tempo'', ressalta ele.
Já Mario Alberto Camargo, diretor de comércio exterior da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi), comenta que este trabalho para viabilizar o escoamento da soja pelo Estado está sendo realizado há dois anos. Ele explica que com a proibição, o Paraguai acabou tendo que readequar sua logística de exportação ao longo da última década. ''Eles possuiam apenas 3 portos e agora possuem 20. Montaram toda uma infraestrutura através de Buenos Aires e Rosário para escoar a soja''.
Agora, o desafio do governo do Estado e das entidades envolvidas é oferecer alternativas competitivas para que compense aos paraguaios exportar sua mercadoria pelo Paraná. ''Temos que diminuir os custos para competir com a hidrovia, inclusive com a redução dos preços dos pedágios'', salienta Camargo.
O representante da Acifi relembra que há oito anos, o Porto de Paranaguá recebia por volta de 600 caminhões por dia do Paraguai, o que movimentava os serviços das transportadoras, combustível, mão de obra e outros serviços entre o deslocamento de Foz até a cidade portuária. ''Havia até um certo protecionismo por parte dos brasileiros, mas quando a movimentação parou, diversos setores ficaram desesparados para a retomada dos trabalhos. A economia vai aquecer ainda mais na região''.
A Receita Federal também apoia a iniciativa. Já foi estabelecido um cronograma de chegada de caminhões no Entreposto Alfandegado do Paraguai em Paranaguá para evitar congestionamentos. Num primeiro momento, a Receita irá liberar a chegada de 20 caminhões oriundos do país vizinho por dia. ''É preciso realizar um agendamento antes do deslocamento até o porto. Vamos retomar aos poucos para não ocorrer uma saturação'', completa Camargo.

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