Com o aumento da demanda do mercado internacional pelo milho brasileiro, motivado pela quebra de safra nos Estados Unidos, o porto de Paranaguá tem registrado uma movimentação acima do normal para esta época do ano. De janeiro até agora, por exemplo, foram encaminhadas para o exterior mais de um milhão de toneladas do grão, contra 340 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. Segundo dados da Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), só em janeiro e fevereiro passaram pelo posto de triagem 13,7 mil caminhões carregados com milho.
Ainda de acordo com informações da Appa, os terminais em Paranaguá estão recebendo por dia em torno de 440 caminhões carregados com milho. A expectativa da entidade é que a procura intensa pelo grão entre em decréscimo nos próximos 15 dias, dando lugar a cultura da soja. Segundo dados do departamento de comunicação do governo do Estado, ainda existem nove navios aguardando para atracar no porto.
Juliana Yagushi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), explica que a demanda pelo grão brasileiro vem crescendo muito, aquecendo as exportações. Segundo a especialista, mesmo com o aumento dos embarques, o mercado segue equilibrado em relação a oferta e a demanda, já que a produção de milho segunda safra (2011/12) cresceu se comparada com a do ciclo anterior.
Na safra 2011/12, só o Paraná registrou uma produção de 9,91 milhões de toneladas de milho, um volume de 56% maior se comparado ao ciclo 2010/11. Em área, o Estado destinou para a última safra de inverno 2,03 milhões de hectares para a cultura, um crescimento de 20% em relação a safra anterior. Juliana observa que o produtor aumentou sua área de produção devido aos bons preços de mercado. Segundo dados do Deral, em fevereiro deste ano, por exemplo, a média do valor do milho recebido pelo produtor foi de R$ 25,06 a saca, contra R$ 23,07 registrado no mesmo período do ano passado. No atacado, a saca de milho de 60 quilos foi comercializada no mês de fevereiro a R$ 29,24, contra R$ 26,09 em comparação ao mesmo período do ano passado.
Questionada pela FOLHA sobre o possível atraso que essas exportações de milho pode causar no escoamento da safra de soja, Juliana disse que há a possibilidade de haver problemas no porto com o encontro dessas duas commodities. Mas ela acredita que a administração de Paranaguá está fazendo o melhor trabalho possível para evitar transtornos. Por enquanto, destaca Juliana, o porto está dando prioridade as exportações do milho.

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