Curitiba - A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) anunciou, ontem, em Curitiba, que começa a negociar com contratos futuros de soja em grão no dia 11 de outubro. A operação vai dar mais agilidade para produtores e compradores de soja do Brasil, que recorriam à Bolsa de Chicago quando queriam negociar com contratos futuros. A BM&F elegeu o Porto de Paranaguá, no Paraná, como local para entrega física do produto negociado na instituição.
A BM&F já operava com contratos futuros de soja na década de 80, mas suspendeu a negociação em função da dificuldade de fechamento de preços naquele período, quando a inflação dominante era de dois dígitos. Além disso, a entrega do produto pulverizada em vários portos do País era outro fator que dificultava a formação de preços.
A escolha do Porto de Paranaguá para receber os estoques de soja negociados na BM&F se deve à tradição e à credibilidade do local na formação de preços da soja no País, disse Antonio Bueno, consultor da BM&F, que já credenciou os armazéns da Companhia Brasileira de Logística (CBL) para receber os estoques negociados em bolsa. Para isso, a CBL investiu R$ 6 milhões para ampliar a capacidade estática de seus armazéns, que avançou de 50 mil toneladas para 75 mil toneladas. A empresa também investiu no recebimento e embarque simultâneo de produtos, para ganhar agilidade exigida pela BM&F.
Segundo Bueno, a operação em bolsa brasileira ganha importância perante os países compradores de soja principalmente agora, quando os Estados Unidos estão para perder a liderança na produção de soja em grão para os países do Mercosul. Conforme projeções para a safra que começa a ser plantada, os EUA deverão produzir 72 milhões de toneladas de soja, enquanto que a América Latina deverá produzir 85 milhões de toneladas.
Bueno salientou que a negociação com a soja em bolsa no Brasil deverá atrair compradores tradicionais como China, Japão e países da Europa, que vão preferir negociar diretamente com os países produtores. A BM&F ainda não tem uma expectativa do volume de soja que pode ser negociado no Brasil. Para se ter uma idéia do funcionamento em bolsa, o pregão da Bolsa de Chicago negocia o equivalente a 15 vezes o valor da soja negociada em todo o mundo e só entrega 2% do volume negociado. A BM&F que já tem tradição com contratos futuros de café, negocia o equivalente a duas vezes a safra brasileira de café.
Bueno está confiante no sucesso da operação porque a soja é a commodity mais importante do País, representando mais de 10% das exportações brasileiras. ''A negociação com o grão só perde para o mercado futuro de petróleo'', comparou o consultor da BM&F.

mockup