Paranaguá perde R$ 200 mil com greve
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quinta-feira, 26 de novembro de 1998
Carmem Murara 
O Porto de Paranaguá passou o dia inteiro de ontem com todos os setores paralisados por causa da greve nacional dos portuários, situação que provocou uma queda de arrecadação de R$ 200 mil. A avaliação do prejuízo foi feita pelo superintendente do porto Osires Stenghel Guimarães, ao confirmar que oito navios ficaram parados no cais. A greve estava prevista para encerrar às 19 horas, mas a decisão sobre sua manutenção ou não ficou para hoje.
Por causa da greve, um dos navios da empresa de navegação Grimaldi, o Republic de Brasile, zarpou de Paranaguá para a Argentina com metade do carregamento previsto. O restante dos navios permaneceram em Paranaguá, porque os demais portos também estavam parados, afirmou Guimarães. Além dos oito navios atracados, havia outros 10 navios ao largo. Segundo a assessoria do Porto de Paranaguá, um armador tem um prejuízo diário de R$ 20 mil ao deixar o navio atracado.
A greve nacional dos portuários é motivada pela medida provisória do governo federal que retira dos sindicatos o poder de escalar os trabalhadores para os serviços nos navios. Conforme o texto da medida provisória, aprovada ontem pelo Congresso, essa atribuição passa a ser responsabilidade dos Ogmos (Órgãos Gestores da Mão-de-Obra), controlados pelos empresários do setor portuário.
Em Paranaguá, os estivadores e arrumadores passaram o dia reunidos em frente ao Ogmo como forma de pressão. Ao contrário dos portuários de Santos, que depredaram a sede do órgão (leia ao lado), no porto paranaense a manifestação foi pacífica. Mas se a gente perder, vamos radicalizar, ameaçava ontem o diretor geral do Sindicato dos Estivadores do Porto de Paranaguá, Preciliano Rodrigues.
A sede do Ogmo foi mantida fechada durante toda a tarde por precaução da diretoria. Temos um bom relacionamento com os trabalhadores, mas, como os ânimos podem se acirrar, decidimos não trabalhar no período da tarde, afirmou o gerente operacional do Ogmo, José Renato Mello. Ele esclareceu que a alteração prevista na Medida Provisória se daria apenas na escolha das pessoas que trabalhariam no porto, pois a quantidade de trabalhadores e o pagamento já são feitos pelo Ogmo.


