O Porto de Paranaguá passou o dia inteiro de ontem com todos os setores paralisados por causa da greve nacional dos portuários, situação que provocou uma queda de arrecadação de R$ 200 mil. A avaliação do prejuízo foi feita pelo superintendente do porto Osires Stenghel Guimarães, ao confirmar que oito navios ficaram parados no cais. A greve estava prevista para encerrar às 19 horas, mas a decisão sobre sua manutenção ou não ficou para hoje.
Por causa da greve, um dos navios da empresa de navegação Grimaldi, o Republic de Brasile, zarpou de Paranaguá para a Argentina com metade do carregamento previsto. ‘‘O restante dos navios permaneceram em Paranaguá, porque os demais portos também estavam parados’’, afirmou Guimarães. Além dos oito navios atracados, havia outros 10 navios ao largo. Segundo a assessoria do Porto de Paranaguá, um armador tem um prejuízo diário de R$ 20 mil ao deixar o navio atracado.
A greve nacional dos portuários é motivada pela medida provisória do governo federal que retira dos sindicatos o poder de escalar os trabalhadores para os serviços nos navios. Conforme o texto da medida provisória, aprovada ontem pelo Congresso, essa atribuição passa a ser responsabilidade dos Ogmos (Órgãos Gestores da Mão-de-Obra), controlados pelos empresários do setor portuário.
Em Paranaguá, os estivadores e arrumadores passaram o dia reunidos em frente ao Ogmo como forma de pressão. Ao contrário dos portuários de Santos, que depredaram a sede do órgão (leia ao lado), no porto paranaense a manifestação foi pacífica. ‘‘Mas se a gente perder, vamos radicalizar’’, ameaçava ontem o diretor geral do Sindicato dos Estivadores do Porto de Paranaguá, Preciliano Rodrigues.
A sede do Ogmo foi mantida fechada durante toda a tarde por precaução da diretoria. ‘‘Temos um bom relacionamento com os trabalhadores, mas, como os ânimos podem se acirrar, decidimos não trabalhar no período da tarde’’, afirmou o gerente operacional do Ogmo, José Renato Mello. Ele esclareceu que a alteração prevista na Medida Provisória se daria apenas na escolha das pessoas que trabalhariam no porto, pois a quantidade de trabalhadores e o pagamento já são feitos pelo Ogmo.

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