Curitiba - A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) promove hoje a ''limpeza'' do silão público, onde estavam armazenadas cerca de 64 mil toneladas de soja contaminada com organismos geneticamente modificados (OGM's). A maior parte da carga foi carregada para dois navios que estão atracados desde segunda-feira no Porto de Paranaguá, mas ainda há 12 mil toneladas que não foram compradas. O destino dessa carga será anunciado hoje pelo superintendente da Appa, Eduardo Requião.
A higienização do silo vai contar com a participação de entidades ambientais, como Greenpeace, Ecovida, Associação de Agricultura Orgânica (Aopa) e Jornada de Agroecologia. O grupo não pode tocar no armazém da multinacional Cargill, onde ainda há 10 mil toneladas de soja contaminada com transgênicos. A empresa não respeitou o prazo concedido pela Appa para transferir o grão para o silo público, mas a administração do porto não pode manipular a carga porque está em armazém privado.
A Cargill informou, através de nota oficial, que está ''acompanhando o caso e realizando esforços junto às autoridades competentes para poder exportar a soja remanescente que se encontra em seu armazém no Porto de Paranaguá e, assim, poder cumprir contratos celebrados com importadores''. Enquanto isso, não poderá receber novo carregamento de soja tradicional para evitar contaminação.
O evento no porto reforça a posição do governo estadual, contrária aos transgênicos, conforme a Lei Estadual 14.162. Essa legislação está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) por duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins). Uma delas foi proposta pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e a outra pelo governo de Mato Grosso do Sul. As duas ações estão sob análise do ministro Gilmar Mendes e ainda não foram julgadas. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, não atendeu ontem a reportagem para falar sobre as ações.
O governo estadual enviou documentação ao Ministério da Agricultura solicitando o certificado de área livre de transgênicos. O pedido foi encaminhado à Comissão de Biossegurança do ministério e deve ser analisado na próxima reunião do grupo, marcada para 7 de dezembro.

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