Paranaguá já opera apenas com cargas efetivamente vendidas
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Porto de Paranaguá está operando desde ontem com cargas efetivamente vendidas, conforme portaria do superintendente Eduardo Requião. O movimento no porto foi calmo, não houve formação de filas ao longo da BR-277 e o pátio de triagem estava sendo ocupado pelos caminhões em apenas 40% de sua capacidade.
Apesar da calmaria, Eduardo Requião sabe que a portaria não será suficiente para acabar definitivamente com as filas. Além disso, quando intensificar o escoamento da soja, certamente ocorrerão ajustes nos procedimentos que poderão provocar o retorno das filas, afirmou.
De acordo com a portaria, em período de pico de safra, o operador portuário só poderá embarcar sua mercadoria se o silo de sua propriedade estiver cheio. À medida que for liberando a carga para o embarque, poderá dar ordem para se deslocar mais caminhões da região de origem. E se o operador não conseguir preencher o silo, o espaço poderá ser requisitado pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). ''Esse expediente está em contrato, só que ninguém respeitava'', disse Eduardo.
O superintende do porto frisou que as cargas das grandes companhias só poderão requisitar o silo público, quando elas tiverem seus próprios silos lotados. Antes, essas companhias utilizavam basicamente o silo público, deixando o espaço privado para ''empréstimos de mercadorias''. Ou seja quando vendiam a carga, pediam o adiantamento de uma carga no silo público e ficavam devendo até chegar sua carga.
O superintendente mostrou estatísticas que comprovam essa prática. A carga no silo público gira em torno de 25 vezes no ano e nos silos privados a carga gira no máximo dez vezes por ano. ''Esse procedimento deixava o sistema de escoamento no porto muito frágil'', afirmou.
A portaria tem como objetivo acabar com os ''empréstimos'' de mercadoria e amplia o uso do silo público para produtores de médio porte ou cooperativas de menor porte interessadas em exportar, sem recorrer aos grandes operadores portuários.
Desde ontem, só podem ser descarregadas no silo público cargas com nota fiscal que comprovem a exportação.


