Paranaguá está embarcando menos soja
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Vânia Casado 
Apesar de o volume de soja em grão exportado este ano ser superior às exportações do ano passado, o total embarcado pelo Porto de Paranaguá está inferior. Em compensação, está crescendo o fluxo de exportação de soja por outros portos como o de Rio Grande (RS), de Santos (SP), Itacotiara (AM), São Luiz (MA) e Ilhéus (BA).
Segundo a agência Safras e Mercados, de Curitiba, entre os meses de janeiro e setembro deste ano, foram embarcadas 8,63 milhões de toneladas de soja em grão - incluindo todos os portos da região Sul - enquanto no mesmo período do ano passado, haviam sido embarcadas 8,21 milhões de toneladas. Desse total, 3,36 milhões de toneladas foram exportadas via Porto de Paranaguá este ano, enquanto que em 1997, no mesmo período, foram embarcados 3,95 milhões de toneladas.
Custo do frete Para o analista, Flávio França Júnior, este comportamento é reflexo do surgimento de novos corredores de exportação que estão começando a funcionar. Como o drama das exportações agrícolas sempre foi o alto custo do frete, a combinação de corredores intermodais é uma tentativa de baixar custos, justificou.
Ele apontou estudos da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) que demonstram que o custo do transporte de soja, por rodovia, via porto de Paranaguá, custa US$ 40 por tonelada, a cada 1.000 quilômetros rodados.
Na Hidrovia do rio Madeira (AM), o transporte da soja sai por US$ 20 a tonelada, a cada 1.000 quilômetros. Essa comparação levou em conta o trajeto via rodovia e hidrovia, até chegar ao porto de Itacotiara.
Já a produção de soja do Tocantins e parte de Mato Grosso está sendo escoada via ferrovia de Carajás até o Maranhão, e de lá segue por ferrovia até o porto de São Luiz. As exportações, via porto de Ilhéus, devem-se ao aumento da produção do grão na região de Barreiras, Oeste da Bahia.
País perde mercado Apesar do aquecimento das exportações de soja em grão, a exportação de farelo e óleo estão bem calmas, o que reflete a manutenção da competitividade da soja em grão. Já na exportação dos produtos industrializados, derivados da soja, o País está perdendo mercado para a indústria argentina.
As plantas industriais argentinas ganham na produção de escala, enquanto a indústria nacional perdeu a margem de 3% a 4% que tinha de diferencial tributário, antes da Lei Kandir. Isto é, enquanto a lei desonerou o pagamento de ICMS para 0% nas exportações de soja, a exportação do grão argentino é tributado em 3,5%, favorecendo a compra da produção pela indústria.


