Paranaguá continuará a barrar transgênicos
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quinta-feira, 07 de outubro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Porto de Paranaguá irá continuar a barrar a exportação de soja transgênica, mesmo que o governo federal resolva liberar definitivamente o plantio de transgênicos no Brasil. A afirmação foi feita ontem pelo governador Roberto Requião (PMDB), como uma resposta à decisão do Senado em aprovar o plantio de produtos geneticamente modificados para a safra 2004/2005. Requião disse que não irá aceitar a qualificação de soja transgênica e não transgênica através de selos de qualidade. ''Selo não adianta e não prova nada. Soja transgênica é igual mulher grávida. Não existe soja meio transgênica, como não existe mulher meio grávida'', ironizou Requião.
O governador explicou que o Porto de Paranaguá não tem como separar a soja convencional e a transgênica. As sementes serão analisadas e as que tiverem mistura de transgênica serão devolvidas. ''O que estão fazendo com o País é um completo absurdo. Temos 50 anos de desenvolvimento genético pelas empresas de pesquisa estatais. Não podemos jogar tudo no lixo e pagar royalties para uma multinacional'', afirmou Requião, argumentando que o Paraná não será refém de empresas estrangeiras. Ele citou como exemplo o fato de a Monsanto ter cobrado com desconto royalties no ano passado (R$ 0,60 a saca) e ter dobrado o valor nesse ano.
''Eu não vou desisitir de batalha'', alegou Requião. Entretanto, se o Congresso Nacional e o governo federal sancionarem a lei permitindo o plantio e a comercialização dos transgênicos, o governador não poderá impedir. ''Espero tudo do Congresso Nacional e do Judiciário'', salientou.
O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), esteve ontem em Curitiba e comemorou a decisão do Senado. Apesar de não plantar transgênico, os agricultores do Mato Grosso estariam ansiosos pela liberação nacional. ''Hoje garantimos que não tem soja transgênica no nosso Estado e temos bons negócios em exportação. Entretanto, a liberação dos transgênicos vai criar uma situação peculiar. Os agricultores vão buscar as sementes e o mercado terá que se ajustar'', afirmou ele, em entrevista à Folha.
Maggi acredita que o valor da soja convencional se tornará inviável com o passar do tempo por causa do custo da separação da soja. ''Vamos ter um custo adicional para cultivar convencional de US$ 10 a US$ 15. Não teremos público para esse produto caro. A tendência é o mercado convencional se encolher e o transgênico aumentar'', complementou o governador do Mato Grosso.


