Paranaenses vão plantar mais soja no MS
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quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Em busca de novas fronteiras, agricultores paranaenses estão levando a cultura da soja para Naviraí (MS), que fica próxima à divisa com o Paraná. No município, a área agrícola vai dobrar na safra de verão que começa a ser plantada em outubro, passando de 25 mil hectares para 50 mil hectares.
Segundo o engenheiro agrônomo Gervásio Kamitani, superintendente da Cooperativa Agrícola Sul Matogrossense (Copasul), boa parte dos novos produtores são do Paraná que vão para a região para arrendar terras degradadas pela pecuária. ''Temos potencial para atingir 150 mil hectares, se o mercado da soja continuar favorável'', comentou. Prevendo o crescimento, a Copasul triplicou sua capacidade de armazenagem, atingindo potencial para estocar 117 mil toneladas.
Atualmente, 30% da área de Naviraí é ocupada pela agricultura. Os arrendatários pagam de 10 a 12 sacas de soja por hectare para os pecuaristas, totalizando de R$ 350,00 a R$ 400,00. A renda da pecuária, em igual área, seria de R$ 150,00 a R$ 200,00. ''E o pasto continuaria se degradando'', lembrou.
Presidente do Sindicato Rural de Naviraí, o pecuarista Otávio Monteiro arrendou 2,4 mil hectares para o plantio de soja. Ele continuará criando gado em uma área arrendada de outro pecuarista. As vantagens dessa opção são demonstradas na ponta do lápis.
Monteiro vai receber R$ 480,00, em média, por alqueire arrendadado. Na propriedade que arrendou para tocar a criação de gado, vai pagar R$ 120,00 por alqueire se mantiver a lotação de um animal por alqueire. ''Vou lucrar com o arrendamento e ainda recuperar a área que está degradada'', disse.
Um dos agricultores paranaenses que investe em Naviraí é Nelson Antonini. Morador de Marialva (17 km a leste de Maringá), ele planta soja no MS há 15 anos e garante que o negócio vale a pena. Proprietário de uma fazenda de 1,1 mil hectares em Naviraí, ele vai arrendar mais áreas e cultivar 3,17 mil hectares na próxima safra.
A produtividade também é maior. Em Marialva, ele conseguiu colher 45 sacas por hectares na última safra, ante 55 sacas por hectares em Naviraí. ''Só não tem mais paranaense arrendando terras lá (em Naviraí) porque os fazendeiros têm medo de não receber a renda corretamente'', comentou.
Outro paranaense que migrou para Naviraí é o comerciante Rubens Antônio Sella. Natural de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), Há seis anos ele comprou uma revendedora de tratores, plantadeiras, colhedeiras e peças na cidade. ''O mercado de maquinário cresceu depois que a lavoura entrou.''


