Curitiba - O consumidor paranaense vai ter que pagar mais caro pela tarifa de energia elétrica. Analistas do setor energético prevêem que esta é a consequência mais provável do novo modelo institucional do setor anunciado ontem pela ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef. O modelo vai reduzir a lucratividade da Copel e Cemig, empresas de energia elétrica do Paraná e de Minas Gerais, consideradas as duas mais rentáveis do setor na América Latina.
Certamente a perda da lucratividade da companhia deverá ser compensada pelo aumento da tarifa paga pelo consumidor, admitiram os analistas em energia elétrica Ivo Pugnaloni, da Enercons Consultoria em Energia; e João Carlos Cascaes, ex-presidente da Copel. Isso porque a Copel terá que vender barato a energia que produz e vai recomprá-la a um custo mais alto.
Esse mecanismo vai ocorrer porque o governo federal instituiu uma câmara comercializadora, em que todas as usinas produtoras do País, velhas ou novas, caras ou baratas, terão que vender a energia. Além disso, o novo modelo proíbe o auto-suprimento, ou seja a Copel terá que vender sua energia barata pelo custo de produção.
Por outro lado, o preço que será pago pelas distribuidoras será muito mais alto porque vão obedecer a um preço de referência, que embute os custos das geradoras novas cujos custos de implantação foram altíssimos. Esse modelo vai beneficiar os consumidores de estados que não investiram em energia elétrica como o Paraná, destacou Cascaes.
O governo do Paraná promete ir à Justiça para reparar o que acredita ser uma injustiça. Para o presidente da Copel, Paulo Pimentel, esse sistema vai punir os estados que apostaram no desenvolvimento e investiram na construção de usinas. A Copel que sempre foi lucrativa, poderá ter sua margem de lucro reduzida à metade, concluiu Cascaes.
Segundo Cascaes, outro fator negativo desse novo modelo é que ele estimula a inadimplência, o que representa um relaxamento do poder público, que pode prejudicar ainda mais o consumidor que vai arcar com mais este ônus. Ele permite que a falta de pagamento das faturas seja compensada por um fundo já embutido na conta. A preocupação do consultor é a benevolência do poder público com empresas públicas de água e prefeituras.
Cascaes chamou a atenção para o lançamento de um novo modelo energético, que representa mais uma reforma a galope do governo federal. De acordo com o consultor, o modelo deveria ser implantado através de projeto de lei para permitir a discussão com a sociedade.

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