Paranaenses também voltam ao trabalho
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de cinco dias parados, os 250 fiscais federais agropecuários do Ministério da Agricultura no Paraná resolveram voltar ao trabalho enquanto aguardam uma proposta de reajuste salarial do governo. A greve teve adesão total no Estado.
Os agentes decidiram em assembléia ontem que o prazo máximo para o governo apresentar uma proposta à categoria será dia 29. Caso isso não ocorra, a greve deve voltar por tempo indeterminado. A primeira proposta do Ministério da Agricultura foi rejeitada pelos fiscais.
Com a greve foram prejudicados os serviços na aduana em Foz do Iguaçu, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, e no Porto de Paranaguá, com a falta da emissão de licenças para importação e certificados para exportação. Só no aeroporto, cerca de 90 toneladas de cargas importadas ficaram paradas por causa da paralisação.
Já no porto, as exportações de carnes ficaram prejudicadas. Na última segunda-feira o Sindicato da Indústria da Carne no Paraná (Sindicarnes) conseguiu liminar na Justiça que autorizou a exportações de carnes com certificado de médicos veterinários particulares. Contudo, a Associação dos Avicultores do Paraná (Avipar) não conseguiu liminar e ficou com os produtos parados nos firgoríficos durante toda a semana.
Segundo o presidente da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários do Ministério da Agricultura do Paraná, Hugo Caruso, com a suspensão da greve a categoria está dando um ''voto de confiança ao ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, à Comissão de Agricultura da Câmara Federal e às empresas que prometeram ajudar nas negociações.'' Caruso afirmou que os fiscais vão voltar ao ritmo normal de trabalho e não vão fazer hora extra para normalizar o que ficou pendente durante a semana. ''Não será uma semana fácil. Vamos tentar normalizar o trabalho na medida do possível'', afirmou Caruso.
A categoria está reivindicando equiparação com o Plano de Cargos e Salários autorizado para os fiscais da Receita Federal, da Previdência e do Ministério do Trabalho, há três anos. Os fiscais dessas categorias têm salário inicial de R$ 3.090, enquanto os fiscais agropecuários ganham R$ 1.775. A proposta feita pelo Ministério da Agricultura e rejeitada pelos fiscais prevê o reajuste de 4% sobre o valor básico de remuneração, gratificação de 30% sobre a maior remuneração da tabela salarial, medida estendida aos servidores inativos e pensionistas e redução dos níveis da tabela de 20 para 13.


