Curitiba - Representantes dos produtores, cooperativas e órgãos públicos do Paraná se organizaram em duas comissões para reivindicar a comercialização do trigo hoje em Brasília. Uma comissão vai pedir ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, R$ 1,1 bilhão para sustentar a comercialização de trigo da safra que começa a ser colhida. A outra, vai pedir na Comissão de Agricultura da Câmara a inclusão desses recursos no orçamento de 2005, para garantir a liberação pelo governo.
A preocupação é evitar que os preços do grão caiam abaixo do preço mínimo fixado em R$ 400,00 a tonelada. Durante encontro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Trigo e Fórum da Cadeia Produtiva do Trigo, ocorrido ontem, na Secretaria de Estado da Agricultura, os agentes da cadeia produtiva discutiram fórmulas disponíveis para evitar a queda nos preços do trigo e o desestímulo do produtor no plantio da próxima safra.
O diretor do Departamento de Abastecimento Agropecuário do Ministério da Agricultura, José Maria dos Anjos, estava presente ao encontro e falou da possibilidade de o governo atender o setor com a realização de contratos de opção e transferência de parte da produção para o Nordeste. Os representantes de moinhos, porém, se mantiveram céticos em relação à eficiência dessas medidas para evitar a queda no preço do produto.
O trigo já está sendo comercializado entre R$ 430,00 a R$ 450,00 a tonelada, mas com o início da colheita previsto para o mês que vem a tendência do mercado é de queda, disse Roland Guth, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Tribo (Abitrigo). Na Argentina, o trigo já está sendo oferecido abaixo de US$ 125 a tonelada, cotação abaixo do preço mínimo no Brasil.
Como o foco é evitar a desestruturação da produção interna, a Abitrigo se aliou às lideranças que representam as cooperativas e produtores para evitar uma derrocada nos preços, ameaça provocada pela superprodução do trigo no mercado externo. O Brasil também está para colher uma boa safra, de 6,2 milhões de toneladas, que corresponde a 60% do consumo. ''Foi preciso muito esforço e investimento do produtor para chegar a esse volume de produção, com qualidade do grão'', disse o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.
Segundo Koslovski, do total de recursos reivindicados, o setor está pleiteando R$ 600 milhões para operações com contratos de opção. Ele imagina que nem vai precisar de todo esse dinheiro, mas só a interferência do governo na comercialização vai ajudar a manter os preços em patamares maiores. Koslovski citou como exemplo a safra passada, quando o governo se comprometeu a comprar 805 toneladas de trigo em contratos de opção, mas acabou comprando apenas 161 mil toneladas, ''gastando muito pouco para compra desse estoque mínimo'', afirmou.

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