A venda de veículos novos no Paraná foi 29,9% menor em 2015 do que em 2014, índice ainda pior do que a queda de 21,9% em todo o território nacional. Além da crise econômica que afetou o setor, o Estado sofreu mais com o aumento de impostos e com a redução nas exportações à Argentina, segundo maior parceiro comercial paranaense. Os números foram divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No Paraná, a venda de leves caiu de 273,8 mil em 2014 para 185,8 mil em 2015 (-32,1%) e a geral, de 351,3 mil para 246,4 mil, no mesmo comparativo. O cenário pior no Estado ajudou a derrubar os indicadores, mas o balanço brasileiro aponta que a quantidade de emplacamentos no País em 2015, de 2,5 milhões de veículos leves e 4,0 milhões no total, recuou ao mesmo nível de 2007, quando foi de 2,3 milhões e de 4,2 milhões, respectivamente. Ainda, quando somadas as vendas de caminhões e ônibus, o País chegou à marca negativa de 26,5%, a maior retração em um ano desde 1987.
Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o setor enfrenta dificuldades como menor oferta de crédito e maior seletividade de instituições financeiras, além de quedas nos níveis de emprego e na renda familiar. "Tivemos uma recuperação notável em dezembro, fruto de inúmeras promoções realizadas pelas marcas instaladas no País. No entanto, nem mesmo as ações promocionais conseguiram atenuar os impactos negativos da crise, que afeta empregos e, principalmente, a confiança de quem vive, investe e consome", avalia, por meio de nota.
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que a região teve peculiaridades que dificultaram mais o cenário. "O grande reajuste na tarifa de energia elétrica, o aumento no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e nos impostos em geral, tudo isso tira o poder de compra do consumidor. E nossa indústria automotiva, que exportava muito para a Argentina e viu isso diminuir nos últimos dois anos pela crise deles, teve uma redução maior nos empregos do setor e, por consequência, nas vendas", diz.
O presidente da Fenabrave considera que 2016 será de nova retração no setor, de 5,2%, mas diz que o resultado depende do desenrolar da crise política. A entidade revisará a previsão trimestralmente.

Em Londrina
As concessionárias de Londrina tiveram um bom mês de dezembro. Entretanto, a visão é de que há mais temor sobre o futuro por parte do consumidor do que falta de dinheiro e de condições. "Tivemos queda de 27% em 2015 na comparação com 2014 e, para reverter isso, entramos o ano com força nas promoções", diz o gerente de vendas Leonardo Motta, da Ford Tropical. A revendedora oferece planos de até 40 parcelas sem juros, conforme o tamanho da entrada.
Na Metronorte, da GM, os números ainda não foram fechados, mas ficarão entre igualar 2014 e retração de 5%, diz o diretor comercial Waldir Rezende Filho. "Sempre fizemos muitas promoções e teremos amanhã (hoje) o Breca Varejo, com condições especiais que ainda serão anunciadas aos clientes. Queremos começar o ano forte e ‘virar’ o estoque."
O gerente comercial Cláudio Roberto Felismino, da Fiat Marajó, conta que a empresa também conseguiu igualar as vendas de 2014. "Dependemos mais da venda direta, porque se fosse apenas com o consumidor que vem até a concessionária, teríamos tido queda", explica. Há 23 anos no ramo, ele não se lembra de uma temporada em que houve tamanho esforço das marcas para atrair consumidores. "Temos modelo vendido até mais barato do que quando estavam com IPI zero, quando consideramos os bônus oferecidos, mas o consumidor está retraído. Ele tem dinheiro, mas espera uma boa notícia sobre o País na imprensa para sair as compras." (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Paranaenses pisam no freio



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