Paranaenses participam de tratoraço
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segunda-feira, 27 de junho de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Mais de 30 ônibus com cerca de 1500 produtores rurais do Paraná viajam hoje em direção a Brasília organizados pelos sindicatos rurais e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Eles vão participar do tratoraço, manifestação que está agendada para a Esplanada dos Ministérios contra a atual crise do agronegócio. De Londrina, sairá um ônibus da sede do Sindicato Rural, às 14h30, com cerca de 40 produtores rurais.
Em Brasília, a caravana de Mato Grosso já descarregou 300 tratores no parque de exposições da Granja do Torto. Os 700 tratores restantes que ontem chegaram fazem parte da primeira parte da comitiva de Goiás. Os produtores ficarão acampados no parque de exposições da Granja do Torto e amanhã começam a organizar os tratores em fila dupla para a entrada à noite na Esplanada dos Ministérios.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando de Almeida Kalinowski, o tratoraço é consequência das manifestações realizadas em vários municípios do Brasil no mês passado, quando os produtores rurais relataram os prejuízos e a falta de perspectiva para a nova safra. Em Londrina, a mobilização ocorreu no dia 31 de maio e conseguiu reunir cerca de 10 mil produtores rurais do Estado todo.
A crise no agronegócio enfrenta a oscilação no câmbio, a queda nos preços e o aumento dos custeios, além da estiagem que provocou grande quebra de produtividade. ''Esses fatores contribuíram para que a situação chegasse onde chegou'', afirmou Kalinowski. Segundo ele, há 12 meses a agricultura vinha de vento em popa, mas no agronegócio existem altos e baixos como situações climáticas e oscilação do câmbio.
''Podia estar uma maravilha há um ano, mas agora estamos em crise. Tivemos perdas com a estiagem que podem ter chegado a 60% em algumas regiões'', comentou o presidente da entidade, acrescentando que se medidas urgentes não forem adotadas pelo governo federal, a próxima safra estará comprometida. ''Os produtores não têm capital para investir na próxima safra, que utiliza apenas 1/3 do capital privado, enquanto o restante vem do setor público.
O anúncio do Plano Safra 2005/2006, que vai disponibilizar R$ 53,5 bilhões a agricultura e pecuária em crédito rural para a próxima safra, não é suficiente, na opinião de Kalinowiski. ''Mesmo o volume de recursos sendo maior, em torno de 12%, acho que não será suficiente. Seriam necessários pelo menos R$ 82 bilhões'', comentou.


