A população paranaense está próxima de atingir os níveis de redução de consumo de 7%, sugerido pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). Apesar da economia ser voluntária, o índice de redução no Estado foi de 5,88% na última sexta-feira.
Os londrinenses reduziram o consumo de energia em 6% nos últimos 30 dias, segundo o superintendente da Copel no município, Elsson Spigolon. Ele acredita que o município atinja o índice considerado ideal pela Câmara nas próximas duas semanas. Apesar de estar economizando voluntariamente, o consumidor paranaense não deve sentir no bolso o resultado da redução do consumo já que desde domingo passado a tarifa está 17,3% mais alta em 396 municípios do Estado.
Embora muitas pessoas acreditem que há aumento no consumo de energia durante o inverno, Spigolon garante que os dias frios não vão interferir na crise energética nacional. ‘‘No frio as pessoas tomam banhos quentes mas, em compensação, no calor usam mais o aparelho de ar condicionado’’.
A média do consumo das residências londrinenses é de 170 quilowatts-hora. No ano passado, o consumo residencial no município foi 308 mil megawatts-hora. No total, computando empresas e iluminação pública, foram consumidos 900 mil megawatts-hora.
Em 2000, houve um crescimento de 6% no consumo em relação ao ano passado. ‘‘Neste ano, por causa da redução do consumo deverá haver um empate em comparação com 99’’, previu Spigolon.
Desde ontem, Londrina dispõe de mais uma carga de 670 MWh (megawatts-hora) por conta da inauguração de um novo banco de transformadores da Eletrosul. Com a nova aquisição, a carga atual é de 1.340 MWh – o que representa cerca de 33% da energia elétrica consumida no Paraná mensalmente, que é 3.500 MWh. A região Sul exporta para o Sudeste entre 2.200 MWh (de madrugada) a 1.200 MWh (no horário de pico, às 19h).
Com o novo banco de transformadores, Londrina tem agora disponibilidade para enviar entre 300 MWh a 440 MWh para a região Sudeste, que é a carga excedente do novo conjunto. A Eletrosul é uma transmissora de energia do grupo Eletrobrás, que opera no Sul do País e no Mato Grosso do Sul. No Paraná, a empresa faz as ligações entre Gerasul e a Copel, sendo que para usar a rede as geradoras pagam um percentual pelo transporte.
RacionamentoO racionamento de energia elétrica em alguns estados brasileiros ainda não provocou a adoção de políticas diferentes por parte das empresas que têm fábricas em regiões onde a redução do consumo é obrigatória e onde é voluntária. Nos estados onde o racionamento está em vigor, a economia exigida para o setor industrial é de 25%.
A empresa de embalagens Dixie Toga, por exemplo, adotou medidas idênticas para a redução do consumo de energia em todas as suas unidades. A empresa tem fábricas em Londrina, Cambé, Curitiba, Votorantim, São Paulo e Natal, sendo que as três parananenses estão fora do racionamento. ‘‘Em todas, resolvemos desligar as máquinas que, ao longo do processo, ficavam paradas por algum tempo’’, disse o diretor-presidente da Dixie, Walter Schalka.’’
Por enquanto, todas as fábricas da Dixie Toga operam em três turnos. Uma linha de produção de copos da Dixie de Votorantim já foi transferida para a unidade londrinense.
O proprietário da Comaves, Paulo Muniz, também disse que por enquanto ‘‘as coisas estão funcionando normalmente’’ na unidade da empresa localizada em Campo Grande (MS), região onde há racionamento de energia elétrica.’’ A Comaves adotou as mesmas medidas para redução de consumo em suas duas fábricas. ‘‘Despressurizamos as linhas de gás de amônia que refrigeram as câmaras. Com a diminuição de ar nessas linhas, os motores trabalham mais leves e economizam energia’’, contou Muniz. Em Londrina, a empresa conseguiu uma redução mensal de 300 quilowatts, passando de 2.700 quilowatts para 2.400 quilowatts.(C.L.)

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